Na polĂtica, os maiores riscos raramente vĂŞm de fora. Eles se infiltram nos corredores do poder, vestem ternos alinhados, oferecem conselhos aparentemente estratĂ©gicos e, muitas vezes, falam em nome da lealdade. É nesse ambiente que a governadora Mailza Assis precisa redobrar sua atenção.
Os verdadeiros adversários nĂŁo sĂŁo necessariamente aqueles que fazem oposição aberta, que discursam contra o governo ou que disputam espaço nas urnas. Esses sĂŁo visĂveis, previsĂveis e, atĂ© certo ponto, administráveis. O perigo maior está nos “Brutus” contemporâneos, figuras prĂłximas, influentes, que operam nos bastidores e moldam decisões com interesses prĂłprios.
Há sinais claros desse fenĂ´meno quando decisões administrativas passam a atingir alvos que, em tese, nĂŁo representam ameaça direta ao governo, mas sim incĂ´modo a determinados auxiliares. Esse tipo de movimento revela mais sobre disputas internas do que sobre estratĂ©gia de gestĂŁo. Quando a caneta Ă© usada para resolver conflitos pessoais ou proteger feudos, o governo perde foco, e, com isso, perde força polĂtica.
Mailza Assis carrega um ativo importante: a percepção de boa-fĂ©. Há um entendimento amplo de que deseja acertar, entregar resultados e construir uma gestĂŁo que dialogue com a população. No entanto, intenção nĂŁo basta em um ambiente polĂtico complexo. É preciso controle sobre o entorno, filtragem rigorosa de conselhos e, sobretudo, independĂŞncia nas decisões.
O fator tempo também impõe pressão. Com um mandato curto e a necessidade de viabilizar a reeleição, cada escolha ganha peso estratégico. Não há margem para erros induzidos ou decisões contaminadas por interesses paralelos. O governo precisa ser cirúrgico, eficiente e, acima de tudo, coerente.
Nesse cenário, a aliança com Gladson Cameli continua sendo peça-chave. Independentemente de conjunturas imediatas, ele permanece como um dos principais ativos polĂticos da base governista, alguĂ©m capaz de agregar votos, consolidar apoios e influenciar o rumo eleitoral. Sua presença pode funcionar tanto como escudo quanto como alavanca.
Mas nenhuma aliança externa compensa fragilidades internas. Se os “lobisomens” da polĂtica, oportunistas, conspiradores e articuladores silenciosos continuarem a operar sem freios dentro da estrutura de governo, qualquer projeto maior ficará comprometido.
Mailza precisa, portanto, fazer um movimento claro: separar lealdade de conveniĂŞncia. Identificar quem soma ao projeto de governo e quem apenas se beneficia dele. A histĂłria polĂtica mostra que lĂderes que nĂŁo enfrentam seus conflitos internos acabam sendo derrotados por eles.
O desafio está posto. Mais do que enfrentar adversários declarados, a governadora precisa neutralizar aqueles que atuam nas sombras. Porque, no fim, são esses que costumam definir o destino de um governo.



