A divulgação da mais recente pesquisa Real Time Big Data para o governo do Acre (18/06) produziu manchetes destacando a liderança do senador Alan Rick no cenário estimulado. Mas uma leitura mais cuidadosa dos números revela uma realidade bem diferente daquela sugerida pelos rankings eleitorais tradicionais: a eleição de 2026 continua completamente aberta.
O dado mais relevante do levantamento não é a vantagem de qualquer candidato. Está na pesquisa espontânea, aquela em que o eleitor responde sem receber uma lista de nomes. Nesse cenário, 53% dos entrevistados afirmaram não saber em quem votar ou preferiram não responder. Outros 11% declararam voto branco ou nulo. Somados, chegam a impressionantes 64% do eleitorado, um contingente muito superior ao de todos os pré-candidatos juntos.
Os números mostram que, apesar da intensa movimentação política dos últimos meses, nenhum dos postulantes conseguiu consolidar uma identificação emocional ou política suficientemente forte junto à maioria da população. O líder da espontânea, Alan Rick, aparece com apenas 15%. A governadora Mailza Assis registra 8%, enquanto o ex-prefeito Tião Bocalom alcança 6%. Até mesmo o nome do ex-governador Gladson Cameli, impedido de disputar a eleição, ainda é citado por 3% dos entrevistados.
Na prática, a espontânea revela algo que a estimulada muitas vezes esconde: a ausência de uma candidatura capaz de mobilizar espontaneamente o imaginário popular. Quando o eleitor precisa receber uma lista para escolher um nome, significa que sua decisão ainda é frágil e sujeita a mudanças ao longo da campanha.
Esse fenômeno é ainda mais significativo porque a eleição ocorre após quase oito anos de um mesmo grupo político no comando do Estado. Em situações como essa, normalmente surgem lideranças mais consolidadas, seja para representar a continuidade, seja para encarnar a mudança. Até agora, porém, o Acre parece viver uma espécie de vazio de representação, no qual a maioria dos eleitores ainda procura um candidato para chamar de seu.
A consequência política é evidente. Com mais da metade do eleitorado ainda sem preferência definida, a campanha propriamente dita ganha enorme importância. Debates, programas eleitorais, redes sociais, alianças partidárias e o desempenho dos candidatos nos próximos meses poderão alterar significativamente o cenário atual.
Por isso, embora os números da estimulada indiquem uma liderança momentânea, a espontânea conta uma história diferente: a de uma eleição ainda em formação. E, quando 64% dos eleitores não apresentam uma escolha consolidada, qualquer diagnóstico definitivo sobre o resultado de outubro não passa de exercício de futurologia. O que a pesquisa mostra, de fato, é que a corrida pelo governo do Acre continua aberta e que o principal adversário de todos os candidatos, neste momento, ainda é a indecisão do eleitor.
*Zé Américo Silva é jornalista e consultor de marketing político

