Mais de 109 mil famílias no Acre poderão aderir ao Novo Desenrola

Programa do Governo Federal oferece descontos de até 90% para quitar débitos

Por Wellington Vidal, ContilNet 28/06/2026 às 14:35
No Acre mais de 109 famílias estão endividadas | Foto: Reprodução

Com o número de famílias endividadas no Brasil atingindo o maior patamar da série histórica, o Governo Federal lançou o Novo Desenrola Brasil, programa voltado à renegociação de dívidas com descontos que podem chegar a 90%. No Acre, onde mais de 109 mil famílias têm algum tipo de compromisso financeiro, a iniciativa pode beneficiar consumidores que enfrentam dificuldades para reorganizar a vida financeira.

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), em maio de 2026, 81,6% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida. Desse total, 29,9% possuem contas em atraso e 12,3% afirmam não ter condições de quitar seus débitos, caracterizando um cenário de superendividamento para uma parcela significativa da população.

De acordo com a presidente do PROCON Acre, Alana Albuquerque, as reclamações mais frequentes recebidas pelo órgão estão relacionadas ao endividamento dos consumidores acreanos em demandas como cartões de crédito, empréstimos pessoais e consignados, financiamentos, contas de energia elétrica, serviços de telefonia e internet, débitos bancários, compras parceladas no comércio, renegociação de contratos e cobranças indevidas.

Mais de 109 mil famílias no Acre poderão aderir ao Novo Desenrola

Presidente do Procon, Alana Alburqueque fala sobre endividamento de famílias no Acre. Foto: Letícia Machado/Procon

“O cartão de crédito continua sendo uma das principais fontes de endividamento, pelas famílias brasileiras, atingindo a porcentagem de 85%, isso decorre devido aos juros elevados do crédito rotativo”, conta a presidente.

No Acre, dados da PEIC analisados pela Fecomércio/AC indicam que, em maio de 2026, 109.204 famílias possuíam algum tipo de dívida, o maior número registrado nos últimos 12 meses. O indicador considera tanto quem paga as contas em dia quanto quem está com parcelas em atraso.

Alana afirma que esse cenário reflete a realidade de famílias de renda média e baixa que vivem em situação de vulnerabilidade econômica, com o orçamento comprometido por empréstimos, financiamentos e cartões de crédito.

“Esse contexto reforça a importância das políticas públicas de educação financeira, prevenção ao superendividamento e incentivo à renegociação de dívidas, desenvolvidas pelos órgãos de defesa do consumidor, como forma de promover o consumo responsável e assegurar condições dignas de subsistência às famílias”, declarou.

Para o economista Marcos Vinicius, um dos principais fatores do endividamento dos acreanos está relacionado ao alto custo de vida, à informalidade e ao orçamento escasso. Com isso, muitas pessoas acabam recorrendo ao cartão de crédito, a empréstimos ou ao crediário para conseguir fechar as contas no fim do mês.

Mais de 109 mil famílias no Acre poderão aderir ao Novo Desenrola

Economista fala sobre endividamento envolvendo jogos digitais e reforça educação financeira. Foto: Reprodução

O economista também alerta para outro fator que preocupa: o avanço das bets.

“As apostas online cresceram muito e acabam atraindo pessoas que já estão endividadas, com a promessa de dinheiro rápido. Na prática, muitas vezes piora a situação financeira das famílias.”

Segundo Marcos, o Novo Desenrola Brasil pode representar uma oportunidade para quem enfrenta dificuldades financeiras. O programa foi criado justamente para ampliar as possibilidades de renegociação de dívidas e facilitar a recuperação do crédito pelos consumidores.

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“O Novo Desenrola Brasil representa uma chance de reorganizar a vida financeira, visto que quando uma dívida está atrasada, ela cresce rápido, esse programa pode ajudar a negociar com descontos, prazos melhores e condições que cabem mais no bolso, permitindo que muitas pessoas limpem o nome e voltem a ter acesso ao crédito, mas de forma mais consciente.”, conta.

Quem pode aderir ao Novo Desenrola?

Para participar do programa, o consumidor deve atender aos seguintes critérios:

  • Ter renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105);
  • Possuir contratos firmados até 31 de janeiro de 2026;
  • Ter dívidas com atraso entre 91 e 720 dias.

Podem ser renegociados:

  • Cartão de crédito;
  • Cheque especial;
  • Crédito pessoal (CDC);
  • Dívidas do Fies;
  • Dívida Ativa da União;
  • Fundos constitucionais;
  • Crédito do Incra.

No entanto, Alana alerta para os cuidados que a população deve ter antes de aderir à renegociação no Desenrola. Segundo ela, o consumidor deve verificar se a parcela cabe no orçamento, conferir o valor total da dívida após os descontos e juros, ler atentamente todas as condições do acordo e evitar assumir novos compromissos financeiros que possam comprometer o pagamento das parcelas.

“É importante também que o consumidor guarde todos os comprovantes da negociação. A nossa orientação que sempre damos é que a renegociação seja uma oportunidade de recuperação da saúde financeira, permitindo ao consumidor retomar o equilíbrio do orçamento e prevenir situações de superendividamento”, reforça.

Acre tem menor índice de inadimplência da Região Norte

Embora o número de famílias com dívidas tenha aumentado, o Acre apresenta um cenário relativamente mais favorável quando se observa a inadimplência. Segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa, o estado ocupa a última posição entre os estados da Região Norte no percentual de inadimplentes. Em abril, 47,84% dos acreanos estavam com contas em atraso.

O percentual registrado no estado ficou abaixo da média nacional, que atingiu 50,81%. Em todo o país, ainda segundo o relatório, mais de 83 milhões de pessoas estão inadimplentes, um aumento de 8,75% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Na avaliação de Marcos Vinicius, programas de renegociação como o Novo Desenrola costumam reduzir os índices de inadimplência, principalmente no curto prazo, porque facilitam o pagamento de dívidas antigas. No entanto, ele ressalta que a medida, sozinha, não resolve o problema.

“É preciso investir também em educação financeira, para que as pessoas entendam melhor os juros, o uso do crédito e os riscos das apostas online. O objetivo não é culpar quem se endividou, mas ajudar as famílias a sair das dívidas e não voltar para o mesmo problema”, concluiu.

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