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Cotidiano

Triagem neonatal gratuita atinge mais de 5 mil recém-nascidos no Acre

Por Fhagner Soares, ContilNet 08/06/2026 às 12:37

Exame feito no calcanhar de recém-nascidos mapeia sete doenças graves/ Foto: Reprodução

Um balanço epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) aponta que 5.098 recém-nascidos foram submetidos ao Teste do Pezinho nos primeiros cinco meses de 2026. O indicador, que compreende as coletas realizadas entre janeiro e maio, reforça a consolidação do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) no estado como a principal política pública voltada ao diagnóstico precoce de patologias genéticas, metabólicas e infecciosas na infância.

O volume verificado no decorrer deste ano sinaliza a manutenção da cobertura universal do serviço em solo acreano. No acumulado de 2025, as equipes da rede pública estadual contabilizaram 12.274 exames processados, demonstrando a capilaridade da triagem na atenção primária e o engajamento de famílias tanto na capital quanto em municípios do interior.

Disponibilizado de forma integral e gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), o exame consiste na captação de gotas de sangue extraídas do calcanhar do bebê. O procedimento de triagem é de caráter obrigatório e deve englobar a totalidade dos nascidos vivos, incluindo bebês prematuros ou internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais. Em cenários específicos de instabilidade clínica do lactente, o protocolo médico prevê a repetição da amostragem para contraprova.

A primeira fase do programa cobre a detecção precoce de sete condições clínicas graves que, se tratadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas, evitam sequelas motoras e cognitivas irreversíveis:

Os médicos pediatras e sanitaristas reforçam que a janela ideal para a realização do furo no calcanhar situa-se entre o terceiro e o quinto dia de vida do bebê. Contudo, caso a família perca o prazo regulamentar, a coleta tardia permanece disponível e eficaz se efetuada em até 28 dias após o parto.

A logística de coleta na capital acreana está descentralizada em pontos estratégicos de saúde. O serviço é ofertado rotineiramente na Maternidade Bárbara Heliodora, no Hospital Santa Juliana e na rede de Unidades de Referência de Atenção Primária (Uraps).

Como o Acre não dispõe de centro de processamento laboratorial próprio para triagem neonatal de alta complexidade, todas as lâminas e amostras biológicas colhidas no estado são acondicionadas e despachadas para o laboratório NatVida, localizado em Porto Velho (RO), instituição parceira encarregada da análise técnica dos exames.

A Sesacre faz um alerta em relação ao pós-exame: o prazo médio para a emissão dos laudos finais oscila entre 30 e 40 dias. O órgão pontua que muitos pais deixam de retornar às unidades básicas para retirar o documento impresso.

A busca pelo resultado é considerada parte indissociável do tratamento, pois, diante de qualquer traço de alteração bioquímica detectado em Porto Velho, a família precisa ser acionada imediatamente para iniciar consultas com médicos especialistas e exames complementares de confirmação.

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