10/09/2026

Médicos revelam detalhes do atendimento de paciente que morreu no PS

João da Costa Souza tinha tumor no pâncreas e outras doenças graves

Por Sávio Buriti, ContilNetAtualizado
Equipe da Sesacre concedeu entrevista coletiva/Foto: ContilNet

Durante a coletiva realizada pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), nesta quinta-feira (10), os médicos Aloysio Coelho, cirurgião do aparelho digestivo, e Mariana Casola, clínica-geral, detalharam o quadro clínico e o atendimento prestado a João da Costa Souza, que morreu na última quarta-feira (9).

Aloysio Coelho explicou que João permaneceu por 28 dias sob cuidados médicos, período em que passou por uma investigação para identificar a causa dos problemas de saúde. Segundo o médico, foi diagnosticado um tumor no pâncreas, além de outras doenças graves.

“Ele tinha um tumor no pâncreas e também tinha múltiplas comorbidades. Tinha uma doença arterial crônica do coração grave e tinha também uma doença pulmonar devido ao tabagismo”, relatou.

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De acordo com o cirurgião, diante das condições clínicas apresentadas pelo paciente, a equipe avaliou que ele não poderia ser submetido a uma cirurgia. “O paciente não foi indicado a procedimento cirúrgico devido a essas comorbidades”, explicou.

A equipe médica realizou uma biópsia do pâncreas e também uma drenagem das vias biliares por meio de radiologia intervencionista. Aloysio destacou que o procedimento passou a ser realizado no Acre recentemente.

“Foi feita a biópsia do pâncreas e também uma drenagem do canal da bile, através de um procedimento que até um ano atrás não tinha no Acre. Secretário, agora nós temos disponível, que é pela radiologia intervencionista”, afirmou.

Ainda segundo Aloysio, após o procedimento, João apresentou boas condições clínicas e recebeu alta hospitalar após nova avaliação médica.

“O paciente 24 horas após o procedimento estava bem clinicamente, foi avaliado por mim, pessoalmente, onde foram avaliados os exames laboratoriais e, juntamente com a família, foi procedido a alta hospitalar para casa”, disse.

No dia seguinte à alta, João retornou ao Pronto-Socorro. A médica clínica-geral Mariana Casola afirmou que ele chegou ao setor de observação adulto com um quadro grave, mas apresentava sinais vitais estáveis naquele momento.

“Ele foi prontamente atendido, a gente colocou ele numa maca extra, já que o setor estava superlotado”, relatou Mariana.
A médica explicou que a equipe iniciou o atendimento enquanto buscava uma vaga em outro setor para ampliar a assistência ao paciente.

“A gente estava dando o manejo dele, tentando fazer acesso, porque era um paciente grave, né? Pela patologia de base era um paciente que estava desidratado, era um paciente que tinha já uma comorbidade muito séria. Porém, no momento, ele estava estável, a gente verificou os sinais vitais, estava estável”, afirmou.

Como João estava desidratado e a equipe não conseguiu obter um acesso venoso periférico, foi realizado um acesso central para permitir a administração dos medicamentos e a hidratação.

“Já começamos a hidratação, já fizemos também analgesia. Por conta da patologia de base, ele realmente sentia muita dor. Então, já começamos esse manejo analgésico”, explicou Mariana.

Segundo a médica, a equipe também buscava transferir João para a sala vermelha enquanto iniciava os primeiros procedimentos. Após a realização do acesso, o paciente foi transferido para o setor.

“Logo depois que foi feito o acesso, o paciente foi imediatamente transferido para a sala vermelha, onde foram feitas medidas mais invasivas”, relatou.

Na sala vermelha, diante da piora do estado de saúde, foram realizados procedimentos de maior complexidade.

“Foi feita intubação orotraqueal, foi feito hemodiálise de emergência”, afirmou Mariana.

Apesar das medidas adotadas, João morreu na manhã seguinte. Segundo a médica, o paciente já apresentava um quadro clínico considerado muito grave devido ao tumor pancreático e às demais doenças associadas.

“Era um paciente que tinha um tumor de cabeça de pâncreas e ele já estava em estado muito grave. O prognóstico dele era totalmente… Infelizmente, no dia seguinte, pela manhã, depois de todas as medidas necessárias que foram realizadas, o paciente veio a óbito”, declarou.

Mariana também afirmou que os familiares que estiveram na unidade após a morte compreenderam a situação clínica do paciente e agradeceram à equipe pelo atendimento.

“Então, realmente, tudo que foi feito e está anotado em prontuário, que poderia ser feito pelo Sr. João, foi feito da melhor forma possível”, afirmou a médica.

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