Em uma eleição marcada por alianças que mudam de acordo com a conveniência, Alysson Bestene decidiu fazer algo que parece cada vez mais raro na política: manter a palavra com quem esteve ao seu lado.
Alysson segue apoiando Tião Bocalom na disputa pelo Governo do Acre. A decisão tem uma razão simples: gratidão. Os dois foram eleitos juntos em 2024 e, quando Bocalom deixou a Prefeitura de Rio Branco para disputar a eleição deste ano, foi Alysson quem assumiu o cargo.
Mesmo com o Progressistas tendo escolhido Mailza Assis como candidata ao governo, Alysson não mudou de posição. Preferiu manter o compromisso firmado com Bocalom, ainda que isso possa lhe trazer consequências dentro do próprio partido.
Mas há uma segunda lealdade nessa história.
Alysson também mantém uma amizade de longa data com Gladson Cameli. E, mesmo com Gladson apoiando Mailza na disputa pelo governo e concorrendo ao Senado por uma chapa diferente da de Bocalom, Alysson não pretende transformar a eleição em motivo para romper uma amizade construída ao longo dos anos.
Nesta quinta-feira, às 17h30, no Parque das Acácias, ele reunirá amigos para um encontro de apoio à candidatura de Gladson ao Senado.
É uma demonstração curiosa, mas também bastante simbólica. Alysson consegue separar a escolha eleitoral das relações que construiu ao longo da vida política: para o governo, mantém a palavra dada a Bocalom; para o Senado, abre espaço para apoiar Gladson.
E talvez seja justamente essa a parte mais interessante da história. Na política, onde muitas vezes as relações são submetidas à conveniência do momento, Alysson parece escolher outro caminho: não abandonar um amigo porque outro amigo está do outro lado da disputa.
Ainda não se sabe se Bocalom estará no encontro desta quinta-feira. A presença dele certamente daria um significado ainda maior ao gesto.
Cada um no seu quadrado
Alysson parece ter encontrado uma forma simples de administrar uma eleição complicada: Bocalom para o governo e Gladson para o Senado. A matemática eleitoral pode até parecer incomum, mas, do ponto de vista pessoal, evita que uma disputa de outubro vire motivo para romper relações construídas ao longo de anos.
A raridade
Pode-se discutir estratégia, fidelidade partidária e conveniência eleitoral. Mas há uma coisa difícil de negar: Alysson está sendo coerente com duas histórias diferentes. Com Bocalom, retribui uma parceria que o levou à Prefeitura de Rio Branco. Com Gladson, preserva uma amizade antiga. Em uma eleição na qual muita gente ainda está escolhendo de que lado ficará, não é pouca coisa saber quem são os amigos que se pretende levar para depois da urna.
Os assuntos da semana
O cara
Lula resolveu lembrar por que chegou ao terceiro mandato presidencial. A poucas semanas da eleição, o governo conseguiu destravar uma sequência de pautas com forte apelo popular: fim da escala 6×1, avanço da PEC da Segurança Pública e mudança na chamada “taxa das blusinhas”. Mais do que o conteúdo das propostas, o movimento mostra uma coisa: quando Lula decide colocar a máquina política para funcionar, Brasília anda. E, em ano eleitoral, cada votação tem endereço certo.
Pegou vento
A chapa Mailza e Jéssica Sales parece ter finalmente encontrado o vento que procurava. A inauguração do comitê central, na Avenida Ceará, levou milhares de pessoas para a rua e travou o trânsito em um dos principais corredores de Rio Branco. No meio da multidão, já tinha quem tratasse a vitória no primeiro turno como questão de tempo. Campanha eleitoral, claro, não se ganha em inauguração de comitê. Mas começar uma disputa com uma avenida lotada certamente ajuda.
Virou rotina
Alan Rick entrou em uma briga que já parece ter virado rotina: a judicialização das pesquisas. Desta vez, o alvo foi a Atlas Intel. Antes, o candidato já havia tentado barrar levantamentos da Verita e da Data Control. Há um detalhe que não passou despercebido no meio político: quando Mailza aparecia em segundo lugar, os institutos não pareciam incomodar tanto. Agora que o jogo mudou e Alan não aparece mais na liderança, a pesquisa virou problema. Coincidência ou consequência?
Vorcaro, o onipresente
Daniel Vorcaro conseguiu uma façanha rara: parece ter encontrado uma maneira de aparecer em praticamente toda conversa política de Brasília. Primeiro, a relação com Alexandre de Moraes. Depois, André Mendonça. Agora, Nikolas Ferreira entrou no roteiro, depois que áudios enviados ao banqueiro vieram a público. A impressão em Brasília é de que, quando o assunto é Vorcaro, basta esperar: a próxima conexão pode estar a um vazamento de distância.
Aleac em ritmo de campanha
As sessões da Aleac neste período eleitoral estão mais vazias e paradas do que água de dengue. Com praticamente 80% dos deputados envolvidos direta ou indiretamente nas campanhas, o plenário anda longe de viver seus dias mais movimentados.
A prioridade, pelo visto, mudou de endereço: em vez dos discursos na tribuna, muitos parlamentares estão de olho nas bases eleitorais.
