“Milagre de Deus”: diz radialista que resgatou juíz após queda de ponte

Pelegrino conta também que tentava manter o juiz aposentado informado sobre seu próprio resgate

Por Maria Fernanda Arival, ContilNet 06/06/2026 às 09:32
Pelegrino é morador do Segundo Distrito de Sena há anos/Foto: Gleison Junior/Orna Audiovisual

O radialista Pelegrino Sobrinho, de 51 anos, morador do Segundo Distrito de Sena Madureira há anos, deu detalhes sobre o resgate do juiz aposentado Edinaldo Muniz, que está intubado em estado grave no Pronto-Socorro de Rio Branco, após a queda da ponte Frei Paolino Baldassari, na noite da última sexta-feira (5).

De acordo com Pelegrino, ele estava em casa quando a ponte cedeu. “Eu imaginei que poderia ser um terremoto. Ela disse [esposa de Pelegrino] ‘é um terremoto’ e vimos muitas pessoas já correndo rumo à margem do rio. E aí eu segui também corri para lá. Quando cheguei lá, já estava tirando a segunda vítima que estava em cima do escombro da ponte, e ficou um rapaz, e eu vendo ele lá, já quase 40 minutos aguardando por resgate, eu chamei alguns amigos, companheiros do Segundo Distrito, disse: “Gente, vamos lá ajudar, porque o homem vai morrer” E eu vi a aliança dele”, contou o morador.

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Pelegrino lembra que o juiz aposentado estava em cima da ponte.

“Ele estava em cima da ponte, você pode ver na parte que abriu na varanda, o braço dele por cima, mas a parte da cabeça dele estava de fora da água, e falaram que era outra pessoa, o Dr. Pedro Longo. Eu não conheço pessoalmente. E quando eu cheguei para perto, falaram que era um juiz aposentado, irmão do engenheiro Ednei Muniz também que estava no momento. Segundo informações, eles iam cruzando a ponte junto com dois moradores do Segundo Distrito mostrar o local da onde tinha se rachado a ponte. Quando chegaram no local, ela cedeu e quebrou”, disse.

O morador destaca que chamou amigos para ajudar no resgate do juiz aposentado. “Até rasguei minhas pernas, meus pés e consegui chegar lá, segurar ele por trás e puxamos. Abrimos a parte da área da ponte, puxamos ele e vim trazendo nadando ele aqui no meu peito, aí os outros me ajudaram para não afundar. E eu dizia para não deixar ele afundar a cabeça, senão ele ia morrer. ?” Eu batia no peito dele, cutucava e chamava e falava, ele só balançava com a cabeça. Eu vendo que ele estava grave, um corte profundo na cabeça, outro no abdômen, as pernas quebradas e o braço quebrado também. Naquele momento, a gente lutou, conseguiu chegar com ele à margem do rio. Quando chega a Polícia Militar com uma prancha, a gente colocou em cima e conduzimos até a ambulância”, lembrou.

Pelegrino se machucou ao ajudar no resgate de Edinaldo

Pelegrino se machucou ao ajudar no resgate de Edinaldo/Foto: Gleison Junior/Orna Audiovisual

Pelegrino afirmou que tirou os pertences do juiz aposentado, como o celular e a carteira, e entregou para um policial, além de ter tirado os sapatos e deixado dentro da ambulância.

“Eu pude dar a minha parcela de contribuição a uma pessoa que eu não conhecia, mas Deus sabe de todas as coisas. Nós estamos aqui nessa terra para ajudar com as pessoas que puderem. Eu, como sou radialista, sou comunicador, também sinto prazer em poder ajudar as pessoas em um momento desse difícil”, disse.

Ponte que liga o Primeiro ao Segundo Distrito de Sena caiu na última sexta-feira/Foto: Gleison Junior/Orna Audiovisual

O radialista lamenta a perda da estrutura, que foi esperada pelos moradores por muitos anos. “Sena Madureira perdeu uma grande uma ponte, uma coisa histórica que é para o nosso município, especialmente para os moradores, moradores que se foram, já morreram e não tiveram oportunidade de cruzar essa ponte e hoje perdemos essa ponte”, afirmou.

‘Milagre de Deus’

Pelegrino ressaltou que os sobreviventes são milagres de Deus e espera encontrar Edinaldo Muniz um dia. “É um milagre de Deus. Eu considero um milagre da mão de Deus. Você cair de uma altura dessa e cortar às vezes só o rosto e escapar. Isso para mim é um prazer falar à nossa população e dizer que Deus existe, porque isso é um um verdadeiro milagre”, disse.

Pelegrino conta também que tentava manter o juiz aposentado informado sobre seu próprio resgate e que se sujou de sangue ao resgatar Edinaldo Muniz.

“Eu falei para ele assim: “Fique tranquilo, o senhor tá bem, nós estamos lutando pelo seu resgate, para o senhor chegar no local para ser atendido pela equipe médica, que eu sei que o senhor não está em estado bem de saúde”. A gente falava com ele, ele só balançava a cabeça, ele não tinha comunicação mais com a gente, não falava, não tinha força de falar, porque eles estava muito grave, ferido, sangrando muito, principalmente na parte da cabeça”, lembra.

“Eu me melei todo de sangue no meu rosto, as pessoas pensaram que eu estava ferido, mas graças a Deus, a gente conseguiu ajudar ele e eu espero em Deus que Deus possa trazer ele de volta bem de vida para sua família e para mim é uma alegria. Eu espero um dia encontrar ele, em nome de Jesus, encontrar ele para mim poder abraçar ele e dizer da alegria e a satisfação de eu poder ajudar esse cara que eu nem conhecia, mas é meu irmão”, destacou.

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