O afundamento de uma balsa no município de Jordão, no interior do Acre, desencadeou uma corrida contra o tempo para conter os danos ambientais após o vazamento de cerca de 15 mil litros de óleo diesel no Rio Tarauacá. Diante da gravidade do caso, o Ministério Público do Acre (MPAC) instaurou inquérito civil para apurar responsabilidades, dimensionar os impactos e cobrar medidas urgentes de contenção. As informações são do diário eletrônico da instituição.
O episódio ocorreu na última sexta-feira (24), durante à cheia do Rio Tarauacá, quando uma embarcação do tipo balsa afundou nas proximidades do porto de Jordão. Com o impacto, milhares de litros de diesel foram liberados na água e se espalharam ao longo da correnteza, atingindo um dos principais rios da região.
A dimensão do desastre levou o Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), do MPAC, a instaurar um inquérito civil para investigar o caso. A apuração busca esclarecer desde as circunstâncias do acidente até a extensão dos danos ambientais e a eventual responsabilidade da empresa envolvida.
O rio afetado integra a Bacia Amazônica e é essencial para a sobrevivência de comunidades ribeirinhas e do povo indígena Huni Kuĩ (Kaxinawá), que dependem diretamente da água para consumo, pesca e atividades do dia a dia. O risco, segundo o MPAC, não se limita à contaminação imediata: o diesel pode comprometer a fauna aquática, afetar a qualidade da água por semanas e gerar impactos de difícil reversão.
Na prática, isso significa que o dano pode ir muito além da mancha visível na superfície. Substâncias derivadas do petróleo tendem a reduzir o oxigênio da água, prejudicando peixes e outros organismos, além de representar risco à saúde humana em casos de consumo ou contato prolongado.
Diante da gravidade, órgãos ambientais e de resposta a emergências foram acionados. Entre eles estão a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) e a Defesa Civil estadual, que atuam de forma conjunta para conter o avanço do poluente e reduzir os impactos sociais e ambientais.
O Ministério Público determinou uma série de medidas imediatas. Entre elas, está o monitoramento contínuo da qualidade da água do Rio Tarauacá por, no mínimo, 90 dias, com análise de substâncias como óleos, graxas e hidrocarbonetos. Também foi exigida a elaboração de um laudo detalhado sobre os danos ambientais, incluindo impactos sobre peixes, vegetação e comunidades atingidas.
Outro ponto central da investigação é a identificação completa da empresa responsável pela embarcação. O órgão quer saber se havia autorização regular para o transporte, se a carga estava sendo conduzida dentro das normas e se existiam planos de emergência para situações como essa.
Além disso, instituições como o Ibama, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Marinha do Brasil foram acionadas para prestar esclarecimentos técnicos e informar se houve falhas de segurança ou irregularidades na operação.
A situação também mobilizou órgãos de saúde. Autoridades foram notificadas para informar se já há registros de atendimento relacionados à possível intoxicação ou exposição ao combustível, além de detalhar quais orientações estão sendo repassadas às populações ribeirinhas sobre o uso da água.
No caso das comunidades indígenas, a preocupação é ainda maior. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) foram acionadas com urgência para avaliar impactos diretos sobre o povo Huni Kuĩ e adotar medidas emergenciais de proteção.
