Ulysses recua e candidatura de Bocalom no PL com apoio do União Brasil ganha força

Confira tudo sobre os bastidores da política na coluna do jornalista Matheus Mello

Por Na Ponta da Língua 10/11/2023 às 14:32
Ulysses e Bocalom durante agenda da Prefeitura de Rio Branco. Foto: Reprodução

Ulysses é deputado federal pelo União Brasil. Foto: Reprodução

O senador Alan Rick havia declarado que a candidatura do deputado federal Coronel Ulysses à Prefeitura de Rio Branco estava de pé e ganhando esforços de membros do União Brasil. Porém, nesta semana, o deputado recuou e declarou que ainda é muito cedo para discutir sobre a candidatura. Ulysses disse que certos candidatos ‘queimaram a largada’ colocando seus nomes na mesa muito antes das eleições do ano que vem.

“Estou andando, ouvindo as pessoas. O termômetro é saber o que a população quer e deseja para Rio Branco,  que precisa se desenvolver. E resolver problemas que perduram há anos, pois tivemos administrações desastrosas, principalmente quando o PT estava governando o Estado e o Município”, pontuou.

União Brasil

Com o recuo de Ulysses, o caminho fica aberto para o prefeito Tião Bocalom. Após o imbróglio dentro do Progressistas, o prefeito deve seguir para o PL, partido do ex-presidente Bolsonaro. A candidatura de Bocalom no PL é defendida pelo senador Marcio Bittar, do União Brasil. Agora, com as declarações de Ulysses, o Velho Boca pode ter uma candidatura com o União debaixo do braço e de quebra, apoio de dois senadores: Alan Rick e Marcio Bittar. O União Brasil, de quebra, pode trazer o Republicanos para a chapa, que é o desejo do deputado Roberto Duarte.

Ulysses e Bocalom durante agenda da Prefeitura de Rio Branco. Foto: Reprodução

Volta por cima

Nas eleições de 2020, Bocalom foi eleito com o apoio de dois senadores: Sérgio Petecão, e Mailza Assis, agora vice-governadora. O prefeito se desentendeu com Petecão e os dois romperam alianças. Se sair do Progressistas, perde o apoio também de Mailza, uma das principais articuladoras da pré-candidatura de Alysson Bestene pelo partido. Ou seja, indo para o PL e angariando o apoio do União Brasil, Bocalom não perde a cartada de ter dois senadores o apoiando. Os nomes mudam, mas a vantagem é a mesma.

Prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom. Foto: Gustavo Monteiro/ContilNet

Possibilidades

Se esse for mesmo o caminho para o Velho Boca, além da máquina pública na mão, o prefeito pode disputar a reeleição com o apoio de mais da metade da bancada federal do Acre. Só no União Brasil, são 3 deputados federais: Ulysses, Eduardo Velloso e Meire Serafim. Já no Republicanos, partido que pode fechar o trio da coligação da direita no Acre, são mais 2: Roberto Duarte e Antonia Lúcia.

Pastora

Acontece que caso o Republicanos aceite apoiar Bocalom na reeleição, como é o desejo do deputado Roberto Duarte, irá se instaurar um racha dentro do partido. Antonia Lúcia, outra deputada do Acre filiada a sigla, já disse que é pré-candidata a prefeita de Rio Branco, e com o apoio da executiva nacional do partido. Quem é que vai ceder?

Não é figurinha descartada

É claro que tudo são possibilidades. Ainda falta meses para essas definições. Porém, se esse for o caminho do prefeito Tião Bocalom, é óbvio dizer que ele segue como um fortíssimo candidato. Entrar em uma eleição com 2 senadores e 5 deputados federais é uma vantagem que qualquer candidato sonha. Na Aleac, Boca pode ter o apoio de 4 deputados: Gilberto Lira e Whendy Lima, do União Brasil. E Arlenilson Cunha e Afonso Fernandes, do PL, sua possível nova casa.

Mais um nome

A deputada estadual Michelle Melo, ex-líder do governo Gladson Cameli na Aleac, pode ser mais um nome posto na mesa para a corrida pela Prefeitura de Rio Branco no ano que vem. Ela encaminhou uma carta a Executiva Estadual do PDT, falando sobre o desejo em ser candidata e colocando o nome à disposição do partido.

Michelle Melo é ex-líder do governo na Aleac. Foto: Juan Diaz/ContilNet

Conversa com colegas

Ela, inclusive, começou a se reunir com vereadores de Rio Branco do PDT, tentando viabilizar a candidatura internamente no partido. Michelle posou conversando com Joaquim Florêncio, James do Lacem e Fábio Araújo, colegas de partido no parlamento-mirim.

Como fica o PDT?

A questão é saber como essa carta será vista dentro do PDT. O atual presidente do partido, Luís Tchê, faz parte do alto escalão do governo do Estado, é o secretário de Agricultura de Gladson Cameli. O partido tem 4 deputados estaduais na Aleac. E é conhecido por ser da base governista. A lógica é que o PDT apoie o candidato definido pelo governador, que até o momento é Alysson Bestene, do Progressistas.

Boicotada 

A carta de Michelle ao partido deve ser ignorada. A verdade é que o caminho ideal para a deputada deve deixar o PDT e seguir em um partido de oposição ao governador Gladson Cameli, papel que ela já vem tomando desde quando deixou a liderança na Aleac. Do contrário, será rifada e boicotada dentro do partido. É a persona non grata do PDT, mesmo com o apoio de alguns colegas vereadores. Quem dita as regras lá dentro é um gaúcho que já teve 4 mandatos na Aleac.

Liderança ambiental

A definição dos membros da Comissão Permanente de Mudanças Climáticas serviu para comprovar o que a coluna disse anteriormente: Socorro Neri é a mais nova liderança acreana na defesa do Meio Ambiente. Ela foi escolhida para ser vice-presidente do grupo.

Um esquerdista solitário

Magoado com o PT, Jenilson Leite não arreda o pé e deve disputar a Prefeitura de Rio Branco sozinho pelo PSB, como a candidatura unicamente de esquerda do Acre. Outros partidos políticos da esquerda largaram a mão de Jenilson e vão apoiar a candidatura de Marcus Alexandre, pelo MDB.

Jenilson Leite. Foto: Reprodução

Criticado

Defendendo uma Frente Ampla em apoio a Marcus Alexandre, a atitude de Jenilson foi criticada até mesmo por membros do próprio PSB, partido de médico. Thor Dantas, também médico e que foi candidato a deputado federal nas últimas eleições, foi um dos críticos.

Acreanas

O Acre registrou uma queda de mais de 20% no desmatamento em um ano, comparado ao mesmo período do ano passado. É um recorde positivo. Fruto disso é o trabalho de duas acreanas extremamente competentes: ministra Marina Silva, que exerce um papel fundamental na defesa da Amazônia no governo federal, e Julie Messias, secretária de Meio Ambiente, que alavancou o trabalho da pasta no governo do Estado.

Off

– É bem claro que Ulysses não quer ser candidato a prefeito de Rio Branco;
– Forçaram e colocaram o nome colocado na mesa;
– Alan Rick é o principal entusiasta da candidatura do deputado federal;
– Com Ulysses querendo sair fora, o União Brasil já pensa em um segundo plano e para apoiar Bocalom no PL, quer abocanhar a vice-prefeitura;
– Um dos nomes que despontam como favoritos a ser vice de Bocalom pelo União Brasil é o médico Fábio Rueda; – Ele teve uma votação considerável nas eleições passadas como deputado federal;
– Rueda chegou a ser cogitado no início do ano para ser secretário de Saúde no governo Gladson Cameli;
– O TSE aprovou a fusão do PTB com o Patriotas. Agora mais um partido de direita surge no Brasil: o PRD, Partido Renovação Democrática;
– Josemir Anute, figura conhecida da polícia do Acre, pode abocanhar a presidência estadual do novo partido;
– Anute foi presidente do Patriotas na última eleição;

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