16/09/2026

Não adianta culpar a Prefeitura pela sujeira que você mesmo faz

Não existe Prefeitura capaz de vencer uma população que não aprenda a respeitar a própria cidade

Por Wania Pinheiro, ContilNet
Prefeitura inicia limpeza de igarapé como parte do programa Cuidar Rio Branco/Foto: Reprodução

Cuidar do meio ambiente não é obrigação apenas da Prefeitura, da Secretaria de Meio Ambiente ou dos órgãos de fiscalização. É obrigação de todos nós.

E talvez esteja na hora de dizer isso sem maquiagem, sem delicdeza excessiva e sem procurar culpados apenas no poder público: uma cidade não consegue permanecer limpa se parte de sua população insiste em tratá-la como lixeira.

É por isso que merece atenção e apoio o Programa Cuidar Rio Branco, lançado nesta terça-feira pela Prefeitura de Rio Branco. A iniciativa reúne limpeza de igarapés, recuperação ambiental, prevenção de alagamentos, monitoramento de áreas de risco e educação ambiental. O trabalho começou pelo Igarapé Batista e deverá avançar para outras regiões da capital.

Além da retirada do lixo, a intervenção busca desobstruir o igarapé e melhorar a passagem da água/Foto: Reprodução

À frente da área ambiental está a secretária Flaviane Agustini Stedille, que tem chamado atenção para um problema que parece óbvio, mas que ainda precisa ser repetido: muito do lixo que vai parar nos igarapés é colocado ali pela própria população e pode contribuir para problemas de escoamento e transbordamento durante as chuvas.

É uma constatação dura, mas necessária.

O lixo que aparece dentro de um igarapé não brotou da terra. Alguém jogou. Alguém descartou.

Alguém achou que uma garrafa, uma sacola, um móvel velho, um pneu ou qualquer outro objeto poderia simplesmente desaparecer depois de ser abandonado na rua.

Não desaparece. Vai parar no bueiro. Vai para o córrego. Vai para o igarapé.

E muitas vezes termina no Rio Acre.

Depois, quando a chuva chega, a água sobe, a rua alaga e a lama entra nas casas, aparece a pergunta: “Cadê a Prefeitura?”

A Prefeitura precisa estar lá, sim. Precisa limpar, prevenir, fiscalizar, orientar e agir.

E é justamente isso que o prefeito Alysson Bestene está colocando em prática com o Cuidar Rio Branco: antecipar o problema, em vez de esperar a água subir para depois correr atrás do prejuízo. O programa foi estruturado para atuar antes do período mais crítico de chuvas, envolvendo diferentes setores da administração municipal.

Alysson merece reconhecimento por colocar essa agenda preventiva na pauta da administração.

E não é apenas uma impressão política. Pesquisas recentes divulgadas sobre a gestão municipal vêm registrando aprovação acima de 50% entre os entrevistados de Rio Branco: levantamento Delta/TV Gazeta divulgado em agosto apontou 53,13%, enquanto a rodada de julho havia registrado 50,68%.

Mas uma boa administração pública não pode fazer tudo sozinha.

Pode retirar toneladas de lixo. Pode limpar igarapés. Pode recuperar áreas degradadas.

Pode mandar equipes para os bairros. Pode fazer campanhas. Pode colocar servidores nas ruas. Pode orientar as comunidades.

Mas não existe Prefeitura capaz de vencer uma população que não aprenda a respeitar a própria cidade.

E aqui entra uma responsabilidade que é nossa. Os pais precisam ensinar os filhos a não jogar lixo na rua. As escolas precisam reforçar essa educação. As empresas precisam fazer sua parte. Os motoristas precisam parar de abrir a janela para lançar embalagens no meio da rua.

E os adultos precisam entender que não existe exemplo pior para uma criança do que o discurso de preservação ambiental acompanhado de uma garrafa jogada no chão.

É preciso acabar também com a naturalização da queima de lixo em quintais.

Não pode ser normal colocar fogo em resíduos como se o problema simplesmente desaparecesse em uma nuvem de fumaça.

Lixo queimado não deixou de existir. Apenas mudou de lugar.

Foi parar no ar que todos nós respiramos.

Por isso, o Cuidar Rio Branco precisa ser muito mais do que uma operação de limpeza. Precisa ser uma mudança de comportamento.

E é nesse ponto que o trabalho da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, comandada por Flaviane Stedille, ganha importância. A proposta prevê educação ambiental nas escolas e comunidades, além da identificação de áreas que poderão receber recuperação ambiental e plantios.

A campanha precisa ganhar as ruas.

Precisa ganhar as escolas.

Precisa ganhar os grupos de WhatsApp.

Precisa ganhar espaço na imprensa.

Precisa entrar nas conversas das famílias.

Porque não adianta fotografar a equipe da Prefeitura retirando lixo do igarapé se, no dia seguinte, alguém vai lá e joga mais.

Limpar é necessário. Não sujar é obrigação.

O meio ambiente sobreviveria sem os seres humanos.

Nós, seres humanos, não sobreviveríamos sem o meio ambiente. Precisamos da água. Precisamos do ar. Precisamos dos rios. Precisamos das árvores. Precisamos da floresta.

Precisamos de uma cidade minimamente saudável para criar nossos filhos e netos.

Então, quando a Prefeitura fizer a parte dela, vamos fazer a nossa.

Quando Alysson mandar limpar, não vamos sujar novamente.

Quando Flaviane orientar, vamos ouvir.

Quando as equipes chegarem aos bairros, vamos ajudar.

E quando alguém jogar lixo na rua, não precisamos fingir que não vimos.

A cidade é nossa. O igarapé é nosso. O Rio Acre é nosso patrimônio. E a responsabilidade também é nossa.

O Cuidar Rio Branco começa na Prefeitura.

Mas só vai funcionar de verdade quando chegar à consciência de cada cidadão.

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