03/09/2026

O que Daniel Vorcaro e o Caso Master têm a ver com o Acre?

Por Juvenal PimentaAtualizado
Daniel Vorcaro/Foto: Reprodução

O escândalo envolvendo o Banco Master e seu ex-dono, Daniel Vorcaro, ganhou novos capítulos nesta semana após a divulgação de mensagens e documentos apreendidos pela Polícia Federal. Enquanto o caso nacional envolve suspeitas de fraudes bilionárias e relações de Vorcaro com empresários e autoridades, o nome do banco também aparece em negócios e processos relacionados ao Acre.

A principal conexão com o estado está nas operações de crédito consignado realizadas por meio do Avancard, produto que esteve ligado ao Banco Master e à empresa Prover Promoção de Vendas Instituição de Pagamento Ltda.

A atuação da instituição no Acre já havia sido alvo de questionamentos na Assembleia Legislativa. Em maio deste ano, o deputado estadual Edvaldo Magalhães relembrou a presença do Avancard no sistema de consignados e cobrou esclarecimentos sobre a relação do Banco Master com contratos firmados no estado.

Segundo o parlamentar, houve tentativas de aproximação do Banco Master com órgãos públicos acreanos, entre eles a própria Aleac e o Acreprevidência. De acordo com Edvaldo, porém, essas negociações não teriam avançado.

A principal conexão com o estado está nas operações de crédito consignado realizadas por meio do Avancard

Avancard chegou ao Acre antes do escândalo

O Avancard passou a atuar no Acre anos antes de o Banco Master se tornar alvo da atual investigação nacional. A operação estava relacionada ao mercado de crédito consignado, modalidade em que as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento ou de benefícios.

O nome do Avancard continua aparecendo em processos que tramitam no Judiciário acreano.

Em uma decisão publicada em agosto de 2026, por exemplo, a Justiça do Acre analisou um cumprimento de sentença contra o Banco Máxima — posteriormente incorporado ao Banco Master — e a Prover Promoção de Vendas, identificada no processo como responsável pelo Avancard.

O processo envolve uma consumidora e discute obrigações relacionadas ao contrato. Com a liquidação extrajudicial do Banco Master, a Justiça determinou a suspensão do processo em relação ao banco e intimou a Prover/Avancard a efetuar o pagamento ou apresentar impugnação.

O caso não é isolado. O Banco Master e empresas relacionadas às operações de consignado aparecem em diferentes processos que tramitam nas varas cíveis de Rio Branco.

E o Acreprevidência?

Um dos pontos que ainda desperta questionamentos é a eventual relação entre o Banco Master e o Acreprevidência.

Edvaldo Magalhães afirmou que o banco tentou se aproximar do instituto responsável pela previdência dos servidores públicos estaduais. A declaração, porém, não significa que o Acreprevidência tenha realizado investimentos ou firmado negócios irregulares com o Banco Master.

A legislação estadual que trata do instituto estabelece que as aplicações dos recursos garantidores do regime próprio de previdência devem seguir uma política de investimentos aprovada pelo Conselho Deliberativo, observando critérios de risco, rentabilidade e liquidez.

Por isso, uma eventual aplicação de recursos previdenciários no Banco Master exigiria documentação específica para ser confirmada.

Vorcaro e os contatos que vieram à tona

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, é uma das figuras centrais das investigações que apuram suspeitas relacionadas à instituição financeira.

Nos últimos dias, novas informações extraídas do celular do empresário ampliaram a repercussão do caso. Relatórios e mensagens analisados pela Polícia Federal revelaram contatos de Vorcaro com políticos e autoridades de alto escalão.

Entre os nomes que apareceram no material divulgado estão o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Flávio Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira. As conversas com Moraes incluem mensagens e referências a encontros entre o ministro e o empresário, enquanto registros envolvendo Flávio Bolsonaro e Nikolas também vieram a público.

No caso de Nikolas Ferreira, foram divulgados nesta quinta-feira (3) áudios nos quais o deputado pede ajuda a Vorcaro para tratar de um “ativo minerário” ligado a um amigo e ex-assessor. Também vieram a público informações de que Vorcaro teria afirmado ter financiado voos utilizados pelo parlamentar. Nikolas reconheceu o contato, mas negou ter recebido dinheiro do banqueiro e afirmou que não houve irregularidade.

Já as mensagens relacionadas a Alexandre de Moraes foram obtidas pela PF durante a análise do celular de Vorcaro e indicam uma série de contatos e encontros entre os dois. O material também menciona um contrato de cerca de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. As informações divulgadas, contudo, não demonstram por si só que eventuais pedidos feitos por Vorcaro tenham sido atendidos.

A divulgação das mensagens colocou em evidência a rede de relações mantida pelo empresário antes da queda do Banco Master e ampliou a repercussão política do caso em Brasília.

Nesta quinta-feira (3), novas informações também apontaram possíveis conexões entre empresas financeiras investigadas pela PF e o grupo ligado ao ex-banqueiro. A Trustee e a Banvox foram liquidadas pelo Banco Central e passaram a ser investigadas por possíveis operações financeiras relacionadas a Vorcaro.

Há algum acreano entre os investigados?

Até o momento, não há indicação pública, nas informações consultadas, de que um político ou empresário acreano esteja entre os principais investigados da Operação Compliance Zero, responsável por apurar irregularidades envolvendo o Banco Master.

A ligação do caso com o Acre é, portanto, diferente.

O que existe de forma documentada é a presença do Banco Master e de empresas relacionadas ao Avancard no mercado de consignados do estado, além de processos judiciais envolvendo consumidores acreanos e a instituição financeira.

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