18/09/2026

Pesquisas: o Acre vive a eleição do “calma, respira e toma um Rivotril”

Até aqui, portanto, o que existe é uma verdadeira guerra de números

Por Wania Pinheiro, ContilNet 18/09/2026 às 17:20
Foto: produção de IA

Está ficando cada vez mais difícil entender a disputa pelo Governo do Acre em 2026. Uma hora aparece uma pesquisa colocando a governadora Mailza Assis na frente. Logo depois, vem outra mostrando Alan Rick liderando. Em seguida, Tião Bocalom aparece colado nos dois.

E aí o eleitor olha para os números e pergunta: afinal, quem está dizendo a verdade?

Talvez a resposta seja mais simples do que parece: pesquisa é fotografia de um determinado momento. E fotografias diferentes, tiradas em momentos diferentes, podem mostrar cenários diferentes.

O problema começa quando, em uma eleição tão acirrada, praticamente toda semana surge uma nova pesquisa, de um instituto diferente, apresentando números que muitas vezes parecem contar histórias completamente distintas.

Nos últimos levantamentos divulgados no Acre, essa diferença ficou evidente. A Quaest colocou Alan Rick com 33%, Mailza com 24% e Bocalom com 15%. A Travessia apontou 36% para Alan, 32% para Mailza e 14% para Bocalom. Agora, a Data Control apresenta Mailza com 40,4%, Alan com 26,1% e Bocalom com 13,2%.

Não é pouca coisa.

São fotografias bastante diferentes da mesma eleição.

Eu sempre trabalhei com dois institutos de pesquisa: Delta e Data Control. Ao longo dos anos, acompanhei muitos levantamentos e, na maioria das vezes, os resultados estiveram muito próximos do que aconteceu nas urnas. Quando houve erro, em algumas situações a diferença acabou ficando dentro da própria margem de erro.

Mas eleição é eleição. E 2026 ainda está longe de ser uma eleição resolvida.

O próprio eleitorado pode estar mudando de opinião. Campanhas começam, fatos novos aparecem, candidatos crescem ou perdem força, rejeições se movimentam e uma parcela dos eleitores permanece indecisa.

Além disso, institutos trabalham com metodologias, amostras, períodos de coleta e margens de erro diferentes. Por isso, comparar pesquisas exige olhar não apenas para o percentual apresentado no gráfico, mas também para quando a pesquisa foi feita, quantas pessoas foram entrevistadas, onde foram ouvidas, qual foi a metodologia e qual é a margem de erro.

A Justiça Eleitoral estabelece regras para o registro e a divulgação das pesquisas. O TSE informa que pesquisas eleitorais precisam ser registradas no sistema PesqEle dentro dos prazos previstos na legislação.

Até aqui, portanto, o que existe é uma verdadeira guerra de números.

E talvez seja justamente isso que esteja deixando a eleição do Acre tão interessante.

De um lado, uma pesquisa mostra Mailza disparando. De outro, Alan aparece na frente. Em algumas, Bocalom se aproxima. Em outras, abre distância. E o eleitor fica no meio desse tiroteio estatístico tentando descobrir qual fotografia está mais próxima da realidade.

É preciso também ter cuidado para não transformar pesquisa em resultado eleitoral antecipado.

Pesquisa não elege ninguém.

Quem elege é o eleitor.

E existe uma instituição que, no fim das contas, não apresenta margem de erro, não faz entrevista por amostragem, não escolhe bairro e não pergunta em quem você pretende votar.

A urna simplesmente registra o voto depositado pelo eleitor.

Por isso, talvez seja melhor respirar fundo, acompanhar os números, conferir quem realizou cada levantamento e esperar.

Porque, no próximo dia 4 de outubro, não haverá instituto de pesquisa capaz de alterar o resultado.

As urnas vão abrir.

E aí acaba a guerra das pesquisas.

Começa a guerra dos números verdadeiros.

Até lá, porém, as farmácias do Acre talvez devam reforçar o estoque de Rivotril.

Porque, pelo andar da carruagem, ainda teremos muita pesquisa pela frente.

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