Pix vai mudar? BC estuda restringir operações após onda de ataques hackers

Medidas em análise têm como objetivo reduzir o risco de novas fraudes

Por Redação ContilNet 12/07/2026 às 09:04
Entre as propostas avaliadas pelo Banco Central estão a limitação de valores e horários. — Foto: Reprodução

O Pix pode passar por novas mudanças nos próximos meses. Após uma série de ataques cibernéticos que provocaram prejuízos bilionários e expuseram vulnerabilidades no sistema financeiro, o Banco Central estuda impor restrições a bancos e fintechs que não cumprirem padrões mínimos de segurança digital.

De acordo com o site Metrópoles, as medidas em análise têm como objetivo reduzir o risco de novas fraudes e aumentar a proteção do sistema de pagamentos instantâneos, utilizado diariamente por milhões de brasileiros.

Entre as propostas avaliadas pelo Banco Central estão a limitação de valores e horários para transações realizadas por instituições consideradas vulneráveis, o bloqueio do registro de novas chaves Pix e, em situações mais graves, até mesmo a suspensão do acesso dessas empresas ao sistema.

A ideia é permitir uma atuação mais rápida da autoridade monetária diante de falhas de segurança, evitando que processos administrativos demorados deixem o sistema exposto a novos ataques.

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O debate ganhou força após uma sequência de invasões cibernéticas registradas nos últimos meses. Segundo estimativas do mercado, os prejuízos com fraudes digitais já ultrapassam R$ 1,5 bilhão nos últimos 12 meses.

Um dos casos de maior repercussão envolveu a empresa C&M Software, responsável por conectar instituições financeiras ao sistema do Banco Central. O ataque resultou no desvio de cerca de R$ 800 milhões, considerado um dos maiores golpes já registrados no ecossistema do Pix.

De acordo com o BC, os criminosos costumam explorar empresas menores e prestadoras de tecnologia, consideradas pontos mais vulneráveis da cadeia, em vez de atacar diretamente os grandes bancos.

Mesmo com o endurecimento das normas de segurança ao longo de 2025, novas tentativas de invasão continuaram sendo registradas. No mês passado, uma fintech foi alvo de hackers, e a MagaluPay, braço financeiro da Magazine Luiza, também sofreu uma tentativa de ataque.

Restrições podem variar conforme o risco

A proposta prevê um tratamento diferente para cada instituição participante do sistema. Bancos e fintechs que demonstrarem controles robustos de segurança continuariam operando normalmente. Já aquelas com histórico de falhas ou mecanismos considerados insuficientes poderiam enfrentar restrições temporárias até adequar seus sistemas.

Segundo o Banco Central, a medida busca incentivar investimentos em tecnologia, proteção digital e governança, reduzindo riscos para todo o sistema financeiro.

Segurança virou prioridade

Durante evento promovido pelo BC, o diretor de Administração da autarquia, Rodrigo Teixeira, afirmou que a segurança cibernética se tornou uma das principais preocupações da instituição.

Segundo ele, infraestruturas como o Pix e o Sistema de Transferência de Reservas (STR) passaram a desempenhar um papel essencial na economia brasileira, tornando indispensável o fortalecimento da proteção contra ataques.

O diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, também classificou os riscos cibernéticos como uma das maiores preocupações da autoridade monetária e afirmou que a agenda de fortalecimento das normas de segurança continuará avançando.

O que muda para o consumidor?

As mudanças em estudo não alteram o funcionamento do Pix para os usuários. O foco das novas regras está nas instituições financeiras e empresas de tecnologia que participam do sistema.

 

Conteúdo Original / Fonte: Metrópoles

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