Apesar de possuir um rebanho bovino proporcional que ultrapassa a marca de três cabeças de gado por habitante, o estado do Acre registra uma escalada acentuada no preço da carne vermelha. Indicadores do projeto PET Economia, da Universidade Federal do Acre (Ufac), apontam que os reajustes acumulados chegam a 24,62% em cortes específicos neste ano, consolidando a proteína animal como o principal fator de pressão inflacionária sobre o orçamento doméstico regional.
O custo total da cesta básica na capital, Rio Branco, fixou-se em R$ 689,11 neste período de 2026. Desse montante, o dispêndio exclusivo com a aquisição de carne bovina consome R$ 255,95 — o equivalente a 37,1% de toda a despesa com alimentação essencial. O peso do item supera com folga outros componentes tradicionais da mesa acreana, como o café (R$ 66,84) e o leite (R$ 58,40).
“Quando o preço da carne sobe, todo o ganho real do salário mínimo das famílias de baixa renda acaba sendo consumido”, avaliam os pesquisadores do núcleo de economia da Ufac responsáveis pelo índice.
A pesquisa de campo da Ufac identificou uma distorção de preços a depender do estabelecimento comercial. Os supermercados e grandes redes de varejo apresentaram valores substancialmente mais elevados e reajustes mais severos do que os açougues tradicionais de bairro para cortes idênticos.
De acordo com o relatório de flutuação de preços, as maiores altas concentradas nos supermercados foram:
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Filé: +24,62%
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Alcatra: +23,26%
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Contrafilé: +20,78%
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Agulha: +13,22%
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Fraldinha: +10,41%
O encarecimento contínuo da carne dita o ritmo da inflação percebida pelas classes de menor poder aquisitivo, anulando o alívio financeiro gerado pela deflação de outros produtos agrícolas locais. No mesmo período, itens como o óleo de soja e a farinha de mandioca registraram quedas de preço de até 20%.
Economistas e analistas do setor de agronegócio apontam três fatores estruturais para explicar por que o valor da carne permanece elevado no mercado interno acreano, a despeito da autossuficiência na produção pecuária:
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Logística de insumos: A manutenção da cadeia de frio e o transporte rodoviário na Amazônia Ocidental encarecem o processo, dada a dependência de insumos veterinários e suplementos produzidos fora do estado.
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Valorização do rebanho: O preço dos animais destinados à reposição do plantel permaneceu inflacionado nos últimos 24 meses, gerando um efeito cascata que é repassado pelas indústrias ao consumidor final.
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Clima e exportações: Períodos de estiagem prolongada reduziram a capacidade produtiva das pastagens locais. Paralelamente, o aquecimento do mercado externo faz com que os frigoríficos que operam no Acre alinhem suas margens aos preços internacionais, reduzindo a oferta de cortes baratos para o comércio local.
