O encontro que reuniria Jorge Viana e figuras históricas do MDB na manhã desta quarta-feira (16) foi abortado antes mesmo de começar. E, segundo fonte ligada ao próprio partido ouvida pelo ContilNet, a decisão ocorreu depois que a movimentação chegou ao conhecimento do Palácio Rio Branco e houve intervenção.
ENTENDA: Encontro de Jorge com MDB é abortado e gera clima tenso na sede do partido
O episódio é mais importante pelo que aconteceu antes do café do que pelo café em si.
Na noite anterior, a informação era de que integrantes da chamada velha guarda do MDB se reuniriam com Jorge Viana. Entre os nomes esperados estavam figuras importantes da legenda, inclusive o presidente estadual, Vagner Sales, além de Aldemir Lopes e Chagas Romão.
Não seria um movimento qualquer.

Na sala azul do partido, alguns dirigentes travaram uma discussão ferrenha sobre o assunto/Foto: ContilNet
O MDB está formalmente amarrado à candidatura de Mailza Assis ao Governo. Mais do que isso: ocupa a vaga de vice na chapa com Jéssica Sales, filha de Vagner. Na disputa pelo Senado, a aliança governista também tem seus próprios candidatos.
Por isso, uma fotografia de lideranças históricas do MDB tomando café com Jorge Viana em plena campanha teria um peso político muito maior do que o de uma simples reunião de amigos.
E parece que o Palácio percebeu isso.
Segundo fonte ouvida pelo ContilNet, a notícia de que integrantes do MDB poderiam declarar apoio a Jorge caiu como uma bomba no Governo. A reação teria sido imediata.
Na sede emedebista, minutos antes do horário marcado, o ambiente era de tensão. Houve discussão entre dirigentes e uma frase ouvida no local resume bem o tamanho do incômodo:
“Não vamos discutir isso agora. Se algum membro quer falar com o partido, que fale por si. Não terá café aqui com o Jorge Viana.”
O café foi cancelado.
Mas o problema político não desapareceu junto com ele.
A foto que o Governo não queria
É possível compreender por que a movimentação provocou preocupação dentro da base governista.
Uma coisa é um integrante isolado do MDB declarar voto em Jorge Viana. Outra, completamente diferente, seria reunir nomes históricos do partido em sua própria sede para receber o candidato petista ao Senado.
A imagem teria força.
Ainda mais porque o MDB não é um aliado periférico de Mailza. O partido está dentro da chapa majoritária e ocupa justamente a vice.
Nesse cenário, impedir que o encontro ganhasse contornos de manifestação partidária evita uma fotografia politicamente desconfortável para a campanha governista.
Só que também deixa uma pergunta no ar: se não havia peso político naquele café, por que tanta preocupação com ele?
O MDB continua dividido
O episódio também mostra que a decisão oficial do MDB de caminhar com Mailza não necessariamente encerrou as divergências internas.
Antes de fechar a aliança, setores do partido discutiram outros caminhos para 2026. No fim, prevaleceu a composição com Mailza, consolidada com a indicação de Jéssica Sales para vice.
A decisão partidária foi tomada.
Isso não significa, porém, que todos os emedebistas tenham feito as mesmas escolhas individuais para as demais disputas.
E o Senado parece ser justamente o ponto onde essa diferença começa a aparecer.
Jorge Viana tem uma relação política antiga com nomes da velha guarda emedebista. Além disso, PT e MDB estiveram juntos há apenas dois anos, na eleição municipal de 2024, quando os petistas apoiaram Marcus Alexandre na disputa pela Prefeitura de Rio Branco.
As pontes, portanto, nunca foram completamente destruídas.
Abortaram o encontro, não o problema
O Governo pode até ter conseguido, segundo a versão relatada por fonte do MDB, evitar o encontro desta quarta-feira.
Politicamente, porém, a situação permanece.
A pergunta agora é outra: os cabeças-brancas desistiram de apoiar Jorge Viana ou apenas desistiram de anunciar esse apoio dentro da sede do MDB?
Porque existe uma diferença enorme entre as duas coisas.
Se o café foi cancelado apenas para evitar constrangimento à aliança de Mailza, a divisão continuará existindo — só que longe da Mesa Azul.
E talvez esse seja o detalhe mais interessante de toda essa história.
O encontro que não aconteceu acabou dizendo muita coisa.
O que chegou ao ContilNet foi a informação de que uma nota pública deve ser lançada em breve pela direção do partido. O fato é que Vagner Sales – presidente da executiva estadual – não se manifestou até agora e não atende aos telefonemas e mensagens desse colunista.
