Thiago Almeida: produtores de café acreanos emocionaram italianos, em Turim

Eles foram recebidos por Mario Cerutti, presidente da Fondazione Lavazza, ou seja, cara que manda

Por Marina, ContilNet 25/09/2025 às 16:37

Na última terça-feira, 24, o destino deu um toque de ousadia e um aroma amazônico à cidade de Turim, Itália. Cerca de dez agricultores familiares acreanos, vindos diretamente do coração da floresta, desembarcaram na sede da Lavazza, gigante mundial da cafeicultura. Sobre o encontro, posso dizer que a mistura de luxo europeu e a simplicidade amazônica impactou a todos.Thiago Almeida: produtores de café acreanos emocionaram italianos, em Turim

Eles foram recebidos por Mario Cerutti, presidente da Fondazione Lavazza, ou seja, cara que manda! Os produtores não precisaram de ternos italianos nem de discursos pomposos para impressionar. Bastou o café. Sim, aquele grão cultivado em terras onde 85% do território ainda é floresta preservada. O sabor, claro, refinado. O impacto? Gigantesco! Provadores experientes, acostumados a cafés de bilionários que custam mais do que um jantar em Roma, ficaram boquiabertos com a qualidade do produto acreano.

Soltavam baixinho, porque eram mega chiques:

“Spettacolare!”

“Ma che figata!”

“Che meraviglia!”

O cenário era digno de um filme (em 8k, claro rs): de um lado, empresários italianos em salas decoradas com sofás e lustres que pareciam saídos de um museu; do outro, agricultores humildes, muitos deles morando à margem de ramais sem asfalto, guardiões da floresta amazônica e mestres na arte de cultivar café. Embora paradoxal, houve sintonia, e a Lavazza sinalizou que é possível fazer negócios.

O secretário de Agricultura do estado do Acre, Luis Tchê, que lidera a comitiva, em parceria com o Sebrae, disse aos empresários que o café acreano não só leva sabor e qualidade, mas também uma história de preservação, de luta de um povo heroico que pratica renúncias diárias para promover sustentabilidade:

“Cada grão cultivado tem sacrifício do agricultor para manter a floresta em pé”, concluiu.

A Lavazza também sinalizou que tem interesse em montar um amplo laboratório na região para ajudar em pesquisas de qualidade e melhoramento genético.

A missão tinha o objetivo claro: levar o café da região ao mercado europeu, mas acabou levando mais que isso. Passou a levar valor. Preço é diferente de valor,  café tem vários, de diferentes preços, agora café com valor… com valor do suor de quem enfrenta desafios impostos pela Amazônia, esse é o do Acre.

E assim, o café acreano deixou sua marca na Itália, provando que não é preciso vestir Prada para conquistar o mundo. Às vezes, tudo o que você precisa é de um bom café e uma pitada de autenticidade.

Por Thiago Almeida

Thiago de Almeida é economista, pós-graduado em Agronegócio e ESG (Environmental, Social, and Governance).

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