Uma espécie de inseto capaz de prejudicar o desenvolvimento da soja foi registrada pela primeira vez no Acre. O Caliothrips phaseoli, conhecido como tripes-da-soja, foi encontrado pela Embrapa Acre em uma área de produção agrícola localizada em Rio Branco.
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A informação consta no Boletim Técnico de Grãos da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac), publicado neste mês de setembro. Conforme o documento, a ocorrência foi identificada durante a safra 2024/2025.
“A Embrapa Acre registrou, pela primeira vez, a ocorrência de Caliothrips phaseoli, o ‘tripes-da-soja’, associada ao cultivo de soja no Acre; o registro ocorreu em área agrícola de Rio Branco, na safra 2024/2025”, informa o boletim.

Imagem microscópica da da tripes-da-soja (Caliothrips phaseoli)/Foto: Élison Fabrício Bezerra Lima
Inseto pode afetar desenvolvimento da soja
De acordo com o levantamento, a presença do inseto representa risco para as plantações por poder provocar a redução do desenvolvimento da cultura. Em determinadas situações, a praga também pode estar associada à transmissão de doenças.
O boletim aponta como riscos adicionais a “redução do desenvolvimento da cultura e, em alguns casos, transmissão de viroses de importância agrícola”.
Além da soja, o tripes já foi associado no Acre a outras plantas hospedeiras, como amendoim-forrageiro, hortelã e girassol.
Praga pode passar despercebida
Um dos principais desafios para os produtores é o tamanho reduzido do inseto. A recomendação é iniciar o acompanhamento da lavoura ainda nos primeiros estágios de desenvolvimento das plantas.
“Monitorar desde V1/V2, com atenção à face abaxial [parte inferior] das folhas. O inseto é muito pequeno e passa despercebido a olho nu”, orienta a publicação.
Para facilitar a identificação, o documento recomenda o uso de instrumentos que permitam visualizar o inseto com maior precisão.
“Usar bandeja branca ou pano de batida, mais lupa de bolso de 10 a 20 vezes; armadilhas adesivas azuis auxiliam na detecção precoce”, acrescenta o boletim.
Tempo seco favorece surgimento de surtos
A atenção deve ser reforçada principalmente nas bordas das plantações e em áreas próximas a remanescentes florestais. Períodos de estiagem e temperaturas elevadas também podem favorecer o aumento da população da praga.
“Atenção redobrada em talhões de borda, vizinhos a remanescente florestal e em veranicos. Condição seca e quente favorece surtos”, alerta o levantamento.
Entre os sinais que podem indicar a presença do tripes-da-soja estão alterações na aparência das folhas. Segundo o boletim, o principal sintoma é o “prateamento ou bronzeamento foliar com pontuações escuras”, provocadas pelas fezes do inseto.
O problema pode ser confundido com outras ocorrências na lavoura. Conforme a publicação, os sinais são “frequentemente confundidos com deficiência nutricional ou fitotoxidez”.
Diante do primeiro registro no estado, a recomendação é que os produtores intensifiquem o monitoramento das áreas de cultivo e busquem orientação técnica antes de adotar medidas de controle.
