A presidente do Departamento de Estradas e Rodagens do Acre (Deracre), Sula Ximenes, afirmou nesta terça-feira (9), em entrevista ao ContilNet, que a definição sobre as providências a serem tomadas após o colapso da ponte de Sena Madureira — ocorrido na última sexta-feira (5) — ainda exige uma série de alinhamentos.
Nesta terça-feira (9), foi realizada uma reunião técnica com os donos da Construtora Cidade, Raul e Roberto Santos, após uma vistoria realizada pelos sócios no local da tragédia, acompanhados pela presidente do Deracre e outros técnicos do órgão.
No entanto, segundo Ximenes, a complexidade do caso impede uma decisão imediata: “Não é uma coisa que a gente decide, uma reunião, tudo o que vai ser feito”.
A gestora explicou que o processo de apuração e definição de responsabilidades envolve múltiplos encontros com a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e o setor jurídico.
Ainda nesta tarde, os donos da empresa vão ter uma reunião com a PGE. Logo em seguida, Raul e Roberto tem uma encontro agendado com a governadora Mailza Assis.
“Vão ter várias reuniões com eles até chegar numa decisão, em alguma coisa que vai ser dita”, declarou a presidente.
“Tem muitas coisas para decidir com a PGE, com o jurídico, então é muita coisa. Não tinha como ser decidido ontem”, concluiu, reforçando que um veredito só será divulgado após o encerramento de todas as reuniões previstas.
Dono de construtora culpa movimentação de terra por queda de ponte em Sena
Em visita ao local do desabamento da ponte Padre Paolino Baldassari nesta terça-feira (9), Raul Santos, um dos sócios da Construtora Cidade, apresentou a primeira linha de investigação da empresa sobre o colapso da estrutura ocorrido na última sexta-feira (5).
Segundo o empresário, indícios visuais apontam que um forte deslocamento de solo na margem do rio teria desestabilizado a obra, que foi entregue em 2023.
Acompanhado por uma comitiva técnica, o proprietário explicou que o objetivo inicial da ida ao município é fazer um reconhecimento de campo para dar início à elaboração de um parecer pericial detalhado.
“Nós estamos aqui para visitar o local da obra onde ocorreu o acidente, para conhecer os fatos. Nós tivemos o cuidado de trazer alguns especialistas, um em estruturas e outro em geologia, porque a partir de agora nós vamos ter que desenvolver estudos e preparar um laudo para conhecer as causas”, afirmou Raul Santos.
Embora a engenharia da empresa ainda vá aprofundar as análises, as condições do terreno ao redor da cabeceira da ponte são o principal indicativo de que a natureza da região teve papel determinante no acidente. Santos destacou que houve uma movimentação significativa de massa as margens do manancial.
“Tudo indica que seja a movimentação da massa de terra, de solo, que se movimentou e abalou a estrutura da ponte. Todos os indícios levam a isso. Como se pode ver, a barranca do rio está bastante fraturada, com bastante rachaduras, houve um movimento de terra bastante grande”, detalhou o sócio da empreiteira.
Próximos passos e laudo oficial
A obra, avaliada em quase R$ 40 milhões, está dentro do prazo legal de cinco anos de garantia. Ciente da responsabilidade e da repercussão do caso, o empresário garantiu que todas as informações coletadas pelos especialistas em geologia e estruturas serão documentadas e compartilhadas de forma transparente assim que os estudos forem concluídos.
“No momento, nós estamos numa fase de estudos e nós vamos aprofundar esses assuntos. Assim que nós tenhamos uma conclusão, nós vamos fazer uma nota oficial à imprensa para comunicar o resultado de tudo isso”, concluiu o empresário.
*Construtora diz que ainda não sabe quem vai tirar restos de ponte que caiu em Sena*
O bloqueio do leito do Rio Iaco pelos restos da ponte Padre Paolino Baldassari tornou-se o novo ponto de discussão em Sena Madureira. Em entrevista, os sócios da Construtora Cidade, afirmaram que o início da limpeza e a desobstrução do manancial — essencial para a navegação local — dependem de um acerto formal com o Governo do Estado e da apuração pericial do acidente.
O empresário Roberto Santos explicou que a responsabilidade e a logística da operação ainda serão definidas. Uma agenda emergencial deve selar os rumos da ação.
“Nós vamos ter uma reunião com a governadora, com a pessoa do Deracre e nós vamos resolver internamente lá o que que vai ser possível fazer, tanto o Deracre como nós, nós vamos conversar. [Se é a empresa que vai retirar] não sei, nós vamos conversar”, declarou Roberto.
Roberto lamentou que o primeiro contato com a atual gestão estadual ocorra sob circunstâncias trágicas. “É a primeira vez, a gente nem conhece a governadora, né? É uma situação ruim. Nós passamos por vários governadores aqui e nós vamos conversar e, no diálogo, nós vamos ver o que vai acontecer”, emendou.
Investigação do sinistro dita o ritmo
Raul Santos indicou que a pressa para limpar a área esbarra na necessidade técnica de preservar as evidências para entender o colapso da obra, avaliada em quase R$ 40 milhões.
“Nós não sabemos [quem retira] porque nós temos que determinar as causas, ok? A causa do sinistro tem que ser levantada”, argumentou Raul.
Apesar da cautela técnica, o empresário fez questão de frisar que há um interesse mútuo entre a iniciativa privada e o poder público para desimpedir o tráfego fluvial o quanto antes.
“Mas isso eu posso garantir que é da nossa vontade, e acredito que é da vontade do governo do Acre também, de acelerar o máximo possível a retirada dos escombros”, concluiu o empreiteiro.
