A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou um novo capítulo na Câmara dos Deputados. O Partido Liberal (PL) anunciou que vai apoiar a proposta que reduz a jornada semanal de trabalho no Brasil e ainda quer defender um modelo com quatro dias de trabalho e três de descanso.
O anúncio foi feito pelo líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante, nesta terça-feira (26). Segundo ele, o partido pretende votar a favor da PEC que acaba gradualmente com a escala 6×1 e reduz a carga semanal de 44 para 40 horas.
Além disso, o PL quer apresentar uma proposta alternativa para tentar aprovar a chamada escala 4×3. Nesse modelo, o trabalhador teria quatro dias de serviço e três de folga por semana, totalizando 36 horas semanais.
A escala 6×1 é muito usada em áreas como comércio e serviços. Nela, o funcionário trabalha seis dias seguidos e descansa apenas um.
A proposta da jornada 4×3 já havia sido apresentada anteriormente pela deputada Erika Hilton, mas enfrenta resistência de parte do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de parlamentares do PT. O argumento é que a mudança para 36 horas poderia ser difícil para alguns setores da economia.
Nos últimos dias, o tema gerou polêmica após deputados do próprio PL assinarem uma emenda que permitia ampliar a jornada para até 52 horas semanais em alguns casos, desde que houvesse acordo com sindicatos. A proposta causou repercussão negativa nas redes sociais e acabou sendo retirada.
Agora, o partido tenta mudar a imagem no debate sobre direitos trabalhistas. Durante discurso na Câmara, Sóstenes afirmou que o PL quer aprovar uma proposta “mais favorável” aos trabalhadores do que a defendida pelo governo.
O deputado também criticou o governo federal e disse que o debate estaria sendo usado com objetivos eleitorais. Segundo ele, o PL quer que a nova jornada entre em vigor imediatamente, sem período de transição.
O relatório da PEC será analisado na comissão especial da Câmara nesta quarta-feira (27). O texto foi elaborado pelo deputado Leo Prates e ainda pode seguir para votação no plenário nos próximos dias.
A discussão sobre reduzir a jornada de trabalho ganhou força nas últimas semanas após mobilizações de trabalhadores, sindicatos e campanhas nas redes sociais. O assunto divide opiniões entre empresários, políticos e representantes dos trabalhadores, principalmente pelos possíveis impactos na economia e na rotina das empresas.
