Revista relembra médico do Acre que criou cirurgia usada no mundo todo

A trajetória do médico começou longe dos grandes hospitais

Por Suene Almeida, ContilNet 06/07/2026 às 09:43
Cinco décadas depois, a Operação de Jatene é considerada o tratamento padrão | Foto: Reprodução

A história do médico Adib Jatene voltou a ganhar destaque nos últimos dias após ser relembrada pela newsletter Update Diário. Nascido em Xapuri, no Acre, o cirurgião entrou para a história da medicina ao desenvolver uma técnica que salvou milhares de crianças e se tornou referência em hospitais de vários países.

Conhecida como Operação de Jatene, a cirurgia foi criada em 1975 para tratar a Transposição das Grandes Artérias (TGA), uma grave doença cardíaca congênita. Nessa condição, o bebê nasce com a aorta e a artéria pulmonar invertidas, impedindo que o sangue oxigenado circule corretamente pelo corpo.

Na época, os tratamentos disponíveis apenas amenizavam o problema. Jatene decidiu fazer algo diferente: reposicionou as duas artérias no lugar correto, corrigindo a causa da doença. A técnica foi considerada arriscada por parte da comunidade médica internacional, mas os resultados positivos fizeram com que ela fosse adotada em diversos países.

Cinco décadas depois, a Operação de Jatene é considerada o tratamento padrão para esse tipo de cardiopatia e continua sendo realizada nos principais centros especializados em cirurgia cardíaca infantil do mundo.

Além dessa contribuição, Adib Jatene também marcou a medicina brasileira ao participar das primeiras cirurgias de ponte de safena no país e ajudar a desenvolver as primeiras máquinas brasileiras de circulação extracorpórea, conhecidas como coração-pulmão artificial.

A trajetória do médico começou longe dos grandes hospitais. Filho de imigrantes libaneses, nasceu em Xapuri, em 1929. Ainda criança perdeu o pai, vítima de febre amarela, e foi criado pela mãe, que sustentou a família vendendo roupas e, anos depois, mudou-se para Minas Gerais para garantir que os filhos estudassem.

Foi durante um estágio na Universidade de São Paulo (USP), em 1951, que Jatene decidiu seguir a cirurgia cardíaca ao acompanhar uma operação realizada pelo professor Euryclides de Jesus Zerbini. A partir daquele momento, dedicou a vida à especialidade e realizou mais de 20 mil cirurgias ao longo da carreira.

Reconhecido internacionalmente, Adib Jatene também ocupou cargos públicos e foi ministro da Saúde. Ele morreu em 14 de novembro de 2014, aos 85 anos, vítima de um infarto agudo do miocárdio, deixando um legado que continua salvando vidas em todo o mundo.

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