Tem coisa que só o tempo explica. Outras, nem o tempo, nem a ciência.
É o caso da transformação de Júlio César, o famoso Roxinho.
Quem conheceu Júlio no início do governo Gladson Cameli talvez precise olhar duas vezes para reconhecer o personagem de hoje. Porque, de tanto conviver com o ex-governador, o homem não apenas ficou amigo de Gladson: aparentemente, começou a ficar parecido com ele.
E não é pouca coisa.
A cara de um parece o focinho do outro. O jeito de se vestir lembra. A maneira de falar lembra. O modo de andar lembra. Até a postura parece ter entrado no pacote.
É como se Júlio tivesse passado tantos anos ao lado de Gladson que, em algum momento, o corpo tivesse decidido: “Já que somos tão amigos, vamos facilitar a identificação”.
A pergunta que circula nos bastidores é inevitável: foi a convivência ou Roxinho fez algum procedimento?
Porque, se foi procedimento, ficou muito bem feito.
Se foi convivência, então Gladson é praticamente um cirurgião plástico ambulante.
A amizade entre os dois, entretanto, não começou com essa semelhança toda.
No início do governo Cameli, Júlio César enfrentou preconceitos, ouviu comentários depreciativos e teve sua imagem questionada por muita gente. Havia quem apostasse que ele não duraria muito tempo naquele ambiente.
Durou.
E mais do que durar, ganhou espaço, confiança e se transformou em uma das figuras mais próximas e queridas de Gladson dentro da administração.
Enquanto alguns foram ficando pelo caminho, Roxinho permaneceu.
E talvez tenha sido aí que começou o problema da semelhança.
Primeiro, passou a andar muito com Gladson.
Depois, passou a falar parecido.
Em seguida, veio o jeito de se vestir.
Quando perceberam, já estava faltando apenas alguém perguntar:
⁃ Quem é Gladson?
⁃ Depende. O de azul ou o de Roxinho?
A convivência, dizem, muda as pessoas. Mas nesse caso parece ter ocorrido uma espécie de “camelização” de Júlio César.
E há um detalhe que torna a história ainda mais curiosa.
Quando Gladson deixou o governo e Mailza Assis assumiu o comando do Estado, Júlio foi exonerado. Em meio às mudanças políticas, também enfrentou acusações e ataques relacionados a episódios da administração anterior.
Mesmo assim, não transformou a situação em uma guerra pessoal.
Continuou amigo de Gladson.
E talvez aí esteja a explicação para tanta semelhança: algumas amizades são tão fortes que nem mudança de governo consegue alterar.
Júlio pode até ter perdido o cargo, mas aparentemente manteve o principal benefício da convivência com Gladson: o estilo.
Hoje, os dois juntos parecem aquelas duplas que passaram tanto tempo lado a lado que já não se sabe onde termina um e começa o outro.
Se continuarem assim, daqui a pouco vão precisar de crachá.
Não para entrar no governo.
Para o fotógrafo saber quem é quem.
E, se alguém disser que eles não são irmãos, a resposta já está pronta:
De sangue, talvez não.
De convivência, certamente.
Porque há amigos que compartilham histórias, outros compartilham segredos.
Gladson e Júlio César parecem ter chegado a um estágio superior da amizade:
compartilham até a fisionomia.
No Acre, onde a política já é cheia de histórias curiosas, essa é daquelas que o tempo tratou de deixar ainda mais engraçada.
E fica a dúvida que ninguém conseguiu responder até agora:
Júlio César ficou parecido com Gladson ou Gladson é que está ficando parecido com o Roxinho?
