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Sem saúde, não há governo: o alerta para a governadora Mailza Assis

Por Wania Pinheiro, ContilNet 04/05/2026 às 11:00
Sem saúde, não há governo: o alerta para Mailza

A governadora Mailza Assis avalia as prioridades administrativas para os próximos meses de mandato/ Foto: ContilNet

A governadora Mailza Assis enfrenta um daqueles cenários clássicos da política brasileira: administrar um estado com demandas urgentes enquanto precisa, simultaneamente, se preparar para uma disputa eleitoral dura. Não há margem para dispersão. Cada decisão agora terá peso administrativo, e também político.

Entre todas as áreas que exigem atenção, a saúde pública se impõe como prioridade incontornável. Não apenas pelo impacto direto na vida da população, mas porque o colapso ou a precariedade desse setor rapidamente se transforma em desgaste político. E, no Acre, os sinais de alerta já não são discretos, são evidentes e, em alguns casos, alarmantes.

A escolha de José Bestene para a Secretaria Estadual de Saúde foi um acerto técnico. Trata-se de um gestor experiente, com conhecimento da máquina pública. Ainda assim, há um limite claro: gestão competente não faz milagre quando os problemas são estruturais, acumulados ao longo de anos e espalhados por diferentes regiões do estado.

O caso do hospital de Sena Madureira é emblemático. Um prédio que consumiu milhões de reais, hoje marcado pelo abandono, deterioração e denúncias de falhas graves na execução. A possibilidade de demolição não é apenas um prejuízo financeiro, é o retrato de uma política pública que falhou desde a origem. Em Manoel Urbano, o cenário também é crítico, reforçando a sensação de que parte da rede de saúde no interior opera em condições muito abaixo do mínimo aceitável.

Sem saúde, não há governo: o alerta para Mailza

O Pronto-Socorro de Rio Branco segue como um dos maiores desafios de atendimento da rede estadual/ Foto: ContilNet

Na capital, os desafios não são menores. A maternidade Bárbara Heliodora e o pronto-socorro de Rio Branco seguem enfrentando sobrecarga, limitações estruturais e dificuldades operacionais. São unidades estratégicas, que lidam com alta demanda e, justamente por isso, deveriam ser exemplos de eficiência, mas ainda estão longe desse ideal.

Por outro lado, a inauguração do hospital de Feijó trouxe um respiro importante. Durante anos, moradores da região enfrentaram deslocamentos desgastantes, especialmente mulheres que precisavam buscar atendimento em Tarauacá para dar à luz. A nova unidade representa um avanço concreto, ainda que pontual diante do tamanho do desafio estadual.

A segurança pública, sem dúvida, também exige atenção e investimentos. No entanto, há uma hierarquia implícita nas necessidades básicas da população. Sem saúde, todo o restante perde sentido. Um povo adoecido não produz, não estuda, não prospera. A economia enfraquece, a educação sofre e o próprio tecido social se fragiliza.

Para Mailza Assis, o recado é claro: a saúde será o principal termômetro de sua gestão e, possivelmente, o fator decisivo em sua avaliação nas urnas. Resolver problemas históricos em curto prazo é uma tarefa quase impossível. Mas demonstrar capacidade de priorização, transparência e resultados concretos, ainda que parciais, pode fazer toda a diferença.

O tempo político é implacável. E, no Acre, a corrida já começou.

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