O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (13) a indicação do ministro da Justiça, Flávio Dino, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A votação foi secreta e o placar foi de:
- Dino:Â 47 votos a favor e 31 contra.
Da bancada do Acre, apenas o senador Sérgio Petecão (PSD) votou a favor. Alan Rick e Marcio Bittar, ambos do União Brasil, votaram contra a indicação de Dino ao STF.

Dino será o novo ministro do STF/Foto: Agência Brasil
O que disseram os senadores do Acre?
“Estamos em campos polĂticos opostos. Sou um senador de direita e busco ser justo. E o homem nĂŁo se separa de suas convicções, a nĂŁo ser que se arrependa delas. Já me manifestei, nas minhas redes sociais, contrário ao Ministro Dino, reitero isso aqui”, disse o senador Alan Rick.
“NĂłs dois, senador Flávio Dino, estamos em campos diferentes. NĂŁo Ă© possĂvel alguĂ©m nĂŁo levar com vocĂŞ as suas convicções, as suas ideologias para onde vai. O Supremo vota e se debruça sobre matĂ©rias que tem fundo ideolĂłgico. O marco temporal tem fundo ideolĂłgico, por exemplo. Eu nĂŁo posso acatar a indicação do presidente da RepĂşblica. EntĂŁo, eu nĂŁo vou poder lhe acompanhar. NĂŁo Ă© nada pessoa, sĂŁo posições polĂticas diferentes”, disse Márcio Bittar.
“Dino Ă© meu amigo e uma Ăłtima indicação para o cargo. Tem meu apoio e meu voto. O STF precisa de uma pessoa tĂ©cnica, idĂ´nea, justa e democrática. Ele tem todas essas caracterĂsticas e, principalmente, notĂłrio saber jurĂdico”, disse PetecĂŁo, que foi o Ăşnico a votar a favor da indicação.
Paulo Gonet
Mais cedo, ele e o subprocurador Paulo Gonet, indicado à Procuradoria-Geral da República, foram aprovados em votação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Essa votação também foi secreta e o placar foi:
- Dino:Â 17 votos a favor e 10 contra.
- Gonet:Â 23 votos a favor e 4 contra.
Dino recebeu o menor nĂşmero de votos na CCJ desde a sabatina do ministro Gilmar Mendes, em 2002. Na ocasiĂŁo, Mendes teve 16 votos a favor e 6 contra. Dino e Gonet foram sabatinados pela CCJ em sessĂŁo que durou cerca de 10 horas.
Ao longo da sabatina, os dois procuraram se esquivar de polêmicas e de embates com a oposição.
Agora, os nomes precisam ser publicados no Diário Oficial da União (DOU).
Atuação no Ministério da Justiça
Dino foi anunciado por Lula como ministro da Justiça no inĂcio de dezembro de 2022, no perĂodo de transição governamental, quando o petista ainda nĂŁo tinha tomado posse como presidente.
No primeiro discurso no cargo, disse que o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) seria definitivamente solucionado. A PolĂcia Federal passou a colaborar com as investigações e, em julho deste ano, mais um envolvido no crime foi preso. Os mandantes, no entanto, ainda nĂŁo foram identificados.
Logo nos primeiros dias à frente do Ministério da Justiça, Dino teve de lidar no governo com a crise gerada pelos atos golpistas de 8 de janeiro. A atuação da pasta que chefia nos dias que antecederam os atos de vandalismo e na data dos ataques foi contestada e criticada por opositores do governo Lula.
Em decorrência desse episódio, Dino foi convocado várias vezes pela oposição para participar de sessões na Câmara e do Senado e prestar esclarecimentos sobre decisões que tomou ou supostamente deixou de tomar.
Escolhido como um dos principais alvos de adversários do governo, Dino ganhou fama de “lacrador” em razĂŁo dos bate-bocas que teve com parlamentares oposicionistas nas sessões com senadores e deputados.
No perĂodo em que chefiou o MJ, Dino tambĂ©m trabalhou na elaboração de um novo decreto sobre armas, revogando regras definidas na gestĂŁo Jair Bolsonaro (PL) e restringindo o acesso de civis a armamentos e munições.
Ele tambĂ©m determinou o recadastramento e operações da PolĂcia Federal para apreensĂŁo de armas irregulares.
Recentemente, Flávio Dino atuou na elaboração de um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para enfrentamento da crise de segurança no paĂs, sobretudo, nos estados de Rio de Janeiro e SĂŁo Paulo. Militares das Forças Armadas foram deslocados para atuar na fiscalização de portos e aeroportos dos dois estados.
Em razĂŁo da morte de uma jovem no show da cantora norte-americana Taylor Swift no Rio de Janeiro em novembro, Dino editou uma portaria para permitir a entrada de garrafas de água para uso pessoal em eventos no paĂs. Outra medida anunciada foi a que obriga produtores de shows a oferecer água de graça em dias de forte calor.
Quem é Flávio Dino?
Flávio Dino de Castro e Costa tem 55 anos, Ă© advogado, ex-juiz, professor e polĂtico. Ele nasceu em SĂŁo LuĂs (MA) e Ă© formado em Direito pela Universidade Federal do MaranhĂŁo (UFMA) e mestre pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Dino foi juiz federal entre 1994 e 2006. TambĂ©m atuou como juiz auxiliar no Supremo, quando presidia a Corte o entĂŁo ministro Nelson Jobim. Os juĂzes auxiliares trabalham nos gabinetes dos ministros, na análise de processos que chegam ao tribunal.
Em 2007, deixou a magistratura para exercer o cargo de deputado federal (2007-2011). Em seguida, assumiu a presidência da agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, entre 2011 e 2014.
Com informações do G1.


