A balança comercial do estado do Acre consolidou sua trajetória de superávit nos meses de abril e maio de 2026, impulsionada pelo desempenho do setor agrícola no mercado internacional. Segundo relatórios técnicos divulgados pelo Departamento de Estudos, Pesquisas e Indicadores (Deepi), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), a comercialização da soja em grão converteu-se no principal vetor de aceleração das exportações locais, desbancando lideranças históricas da pauta regional.
No balanço consolidado de maio, as vendas externas do Acre somaram US$ 13,50 milhões, o que representa uma expansão de 15,2% em comparação ao volume financeiro faturado em abril. O avanço do escoamento da produção agrícola compensou o crescimento expressivo de 102,3% nas importações — que saltaram de US$ 109 mil para US$ 221 mil no período —, garantindo um saldo líquido comercial positivo de US$ 13,27 milhões, um dos melhores resultados para o mês na série histórica recente.
O avanço do calendário de colheita e escoamento da safra na Região Norte alterou a dinâmica interna de produtos. Em abril, a soja assumiu o topo do ranking de exportações do estado ao registrar US$ 5,28 milhões em vendas, equivalentes a 45,1% de todo o valor embarcado pelo Acre. Em maio, o domínio do grão ampliou-se para 48,3% da receita externa total, gerando um faturamento de US$ 6,52 milhões.
Com o arranque do complexo de grãos, a carne bovina — que liderava o acumulado do quadrimestre com US$ 12,10 milhões (29,8%) — passou a ocupar a vice-liderança. O produto registrou receitas de US$ 2,28 milhões em abril e US$ 2,13 milhões em maio. De acordo com a análise técnica da Seplan, o recuo na participação relativa da carne foi temporário e decorreu da suspensão pontual de compras por parte dos Emirados Árabes Unidos.
Apesar da retração do comprador do Oriente Médio, o somatório de janeiro a maio mantém o mercado de proteína bovina e de grãos em patamares elevados:
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Soja (Janeiro a Maio): US$ 15,86 milhões (Líder geral)
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Carne Bovina (Janeiro a Maio): US$ 14,23 milhões (Vice-líder)
O extrativismo da castanha manteve-se em posição estratégica e em ascensão, faturando US$ 1,74 milhão em abril (14,8%) e subindo para US$ 2,48 milhões em maio (18,4%). A carne suína completou a lista de destaques de maio, sustentando inserção estável com US$ 1,00 milhão em negócios internacionais.
A análise geográfica dos dados de maio indica um processo de descentralização econômica, com municípios do interior assumindo o controle do fluxo financeiro do comércio exterior. O município de Brasileia, localizado na fronteira com a Bolívia, despontou no topo do ranking estadual ao movimentar US$ 3,13 milhões, desempenho ancorado no beneficiamento e venda de castanha e nas plantas de processamento de carne suína.
A segunda posição ficou com o município de Senador Guiomard, que movimentou US$ 1,58 milhão no período, impulsionado pela infraestrutura de seus frigoríficos de grande porte voltados à carne bovina. A capital, Rio Branco, apareceu logo em seguida na terceira colocação, somando US$ 1,54 milhão em transações internacionais a partir de uma matriz econômica diversificada, focada na industrialização de derivados de origem animal e produtos do extrativismo florestal.



