O Acre registrou uma taxa de analfabetismo de 8,9% entre a população de 15 anos ou mais, consolidando-se como o estado com o maior índice de pessoas que não sabem ler nem escrever na Região Norte. Os dados detalhados, baseados no módulo de Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do IBGE, revelam que o território acreano abriga atualmente cerca de 57 mil cidadãos nessa condição social vulnerável.
Apesar de o índice representar uma leve retração frente aos registros anteriores do próprio estado — que computou 9,4% no levantamento anterior —, o indicador do Acre caminha na contramão dos avanços nacionais. O patamar local se posiciona quase duas vezes acima da média nacional do Brasil, que quebrou uma barreira histórica ao cair para o piso de 4,9% (equivalente a 8,4 milhões de pessoas). Entre o período pós-pandemia, em 2022, e o ano de 2025, o analfabetismo no País despencou de 7,0% para 4,9%, o que representa um recuo de 30% em termos relativos.
O levantamento cartográfico e estatístico, divulgado pela plataforma “Brasil em Mapas”, expõe o persistente rastro histórico na alfabetização que divide o País do centro-sul ao norte. Enquanto o Acre figura na faixa de coloração ciano/azul claro (destinada a taxas críticas entre 8% e 9,9%), a média geográfica da Região Norte fechou em 5,7%. O comportamento dos estados amazônicos desenha os seguintes cenários:
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Acre (AC): 8,9% (Maior índice da região)
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Tocantins (TO): 6,8%
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Pará (PA): 6,2%
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Rondônia (RO): 5,1%
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Amapá (AP): 4,5%
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Amazonas (AM): 4,3%
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Roraima (RR): 3,4% (Menor índice da região)
A desigualdade geográfica do Brasil permanece acentuada. O Nordeste registra a maior taxa do País, com 10,6% — um índice quatro vezes superior ao do Sudeste, que ostenta 2,3%. Os piores cenários nacionais concentram-se no Piauí e em Alagoas (ambos com 13,1%), seguidos por Paraíba (11,6%) e Ceará (11,1%). No extremo oposto, identificados com a cor azul escuro por estarem abaixo da média nacional, os estados de Santa Catarina (1,2%), Rio de Janeiro (1,6%), São Paulo (1,9%) e o Distrito Federal (2,0%) lideram os melhores índices de alfabetização.
Em perspectiva histórica, os dados de 2025 coroam um longo processo de inclusão escolar no Brasil, evidenciando o tamanho do abismo que o Acre ainda precisa superar. Logo após o fim do Império, em 1890, o analfabetismo atingia alarmantes 85,2% da população brasileira. Sete décadas depois, nos “Anos Dourados” de 1950, o índice caiu para 50,5%, o que significava que metade do País ainda era considerada analfabeta.
O avanço ganhou ritmo com a redemocratização. Em 1989, o patamar nacional era de 20,2%, reduzindo-se para 9,6% em 2010 até atingir o patamar atual de 4,9%. No acumulado de três décadas (comparado a 1995), a taxa de analfabetismo brasileira desabou 71,4%. A redução ocorreu em todas as grandes regiões brasileiras, com destaque para o Sudeste (−80,0%), Centro-Oeste (−75,0%), Sul (−74,9%), Norte (−72,3%) e Nordeste (−68,1%).
Apesar da expressiva retração de longo prazo no Norte, o peso da idade avançada nas estatísticas do Acre reflete o reflexo tardio de gargalos estruturais de acesso à rede pública de ensino nas décadas passadas. O isolamento geográfico e a escassez severa de escolas de alfabetização rural na Floresta Amazônica consolidaram uma massa de idosos analfabetos no estado. O desafio das políticas públicas locais reside em acelerar a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e conter a evasão escolar precoce nas comunidades ribeirinhas e seringais isolados.
