Ontem vivi uma daquelas experiências que a gente guarda no coração. Fui visitar minha tia Vanda, um dos grandes amores da minha vida, no Conviva, e saí de lá com a sensação de que lugares assim deveriam existir em todos os cantos da nossa cidade.
O Conviva é muito mais do que um espaço de acolhimento para idosos. É um ambiente de convivência, cuidado e, sobretudo, de valorização da vida. Ali, nossos idosos encontram atividades que mantêm o corpo em movimento e a mente ativa, com pilates, artesanato, fisioterapia, hidroterapia, além do acompanhamento de cuidadores e nutricionistas.
Mas há algo que nenhum programa consegue explicar completamente: a riqueza humana que existe naquele lugar.
Entre tantas preciosidades, encontrei dona Chiquinha, uma feijoense querida, dessas pessoas que carregam no olhar uma vida inteira de histórias. E conheci dona Safira, que parece iluminar o ambiente com seus lindos olhos. A idade passou pelo seu rosto, como passa pelo rosto de todos nós, mas não conseguiu levar a beleza, a elegância e o brilho que continuam nela.
Conheci outras mulheres igualmente encantadoras. Mulheres que, talvez durante toda a vida, cuidaram de filhos, maridos, casas, famílias e tantas outras pessoas. Agora, naquele espaço, elas também podem ser cuidadas, conversar, sorrir, aprender, fazer amizades e simplesmente desfrutar da companhia umas das outras.
Foi impossível não me emocionar.
Até o nosso editor do ContilNet, Everton Damasceno, que me acompanhou, ficou encantado com o carisma da tia Vanda e de todas aquelas mulheres. E não é difícil entender por quê. Existe uma energia especial naquele lugar. Uma mistura de experiência, delicadeza, histórias e alegria de viver.
O Conviva mostra que envelhecer não precisa significar isolamento. Pelo contrário: pode ser uma nova etapa de convivência, descobertas e afeto.
Por isso, é preciso reconhecer a importância de iniciativas como essa, criadas pelo Sistema S, e desejar que outros espaços semelhantes sejam implantados e ampliados. Cuidar dos nossos idosos não é favor. É respeito. É gratidão. É responsabilidade social.
Um dia, todos nós envelheceremos.
E talvez a melhor maneira de construir o futuro seja começar agora a criar os espaços onde gostaríamos de ser recebidos quando chegar a nossa vez.
Ontem fui visitar tia Vanda.
Mas quem saiu de lá presenteada fui eu.
Saí com o coração cheio de histórias, rostos queridos e uma certeza: nossos idosos ainda têm muito amor, sabedoria e beleza para oferecer. Só precisam de espaços onde possam continuar florescendo.
Que existam muitos outros Convivas. E que nunca faltem lugares onde a idade seja tratada não como limite, mas como uma história que merece ser celebrada.



