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Veja o perfil dos feminicidas no Acre: mais de 50% já tinham passagem na Justiça

Por Anne Nascimento, ContilNet 26/04/2026 às 10:02
Levantamento do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) mostra que 74% das vítimas são mulheres pardas ou pretas

Ao todo, o estado somou 287 protocolos de atendimento e 910 relatos de violência — Foto: Reprodução

Quem são os homens por trás dos casos de feminicídio no Acre? Um levantamento do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) ajuda a traçar esse perfil ao analisar a série histórica entre 2018 e 2025, e os dados revelam um padrão preocupante: a maioria dos autores é formada por adultos, com passagem pela Justiça e, em muitos casos, com histórico de violência.

De acordo com o estudo, a faixa etária predominante entre os autores está entre 30 e 39 anos. Só o grupo de 30 a 34 anos concentra 16 casos, seguido pelos de 35 a 39 anos, com 12 registros. Faixas mais jovens, como 20 a 24 e 25 a 29 anos, também aparecem com números relevantes, ambos com 11 ocorrências, o que indica que a violência letal contra mulheres atravessa diferentes etapas da vida adulta.

Antecedentes

Outro ponto que chama atenção é o histórico criminal desses autores. Mais da metade (51%) já possuía antecedentes criminais. Quando o recorte se volta especificamente para violência doméstica, 32% tinham registros anteriores, o que reforça um padrão já conhecido por especialistas: o feminicídio, em muitos casos, é o desfecho de um ciclo contínuo de agressões.

Dados sobre o perfil dos feminicidas no Acre | Imagem: MPAC

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Ao mesmo tempo, os dados revelam fragilidades no sistema de informações. Em cerca de 20% dos casos, não há registro sobre antecedentes criminais, o que dificulta uma análise ainda mais precisa do perfil desses autores.

Área profissional

No campo profissional, a ausência de dados também é expressiva. Em 42 registros, a ocupação do autor sequer foi informada. Entre os casos com identificação, aparecem com mais frequência desempregados (12), agricultores (9), autônomos (8), diaristas (7) e trabalhadores rurais (7). A diversidade das ocupações indica que o feminicídio não está restrito a um único perfil socioeconômico, embora a informalidade e a vulnerabilidade apareçam com destaque.

O levantamento também traz informações sobre o uso de álcool e outras drogas, ainda que de forma mais pontual. Há registros que associam o consumo de substâncias, como álcool combinado com cocaína, crack ou maconha, a alguns dos casos analisados. Apesar disso, o número reduzido de ocorrências registradas nesse aspecto indica possível subnotificação.

O que caracteriza o feminicídio

O feminicídio é o assassinato de uma mulher por razões ligadas à sua condição de gênero — seja em contexto de violência doméstica e familiar, seja por menosprezo ou discriminação contra a mulher (misoginia). No Brasil, o crime é classificado como hediondo desde a Lei nº 13.104/2015, com pena que varia de 12 a 30 anos de prisão.

Na prática, trata-se de um tipo qualificado de homicídio em que a motivação central está diretamente relacionada ao fato de a vítima ser mulher. Em muitos casos, o crime ocorre dentro de relações abusivas e é cometido por parceiros, ex-companheiros ou até familiares.

Entre as principais características estão o contexto de violência contínua, a ideia de posse por parte do agressor e o histórico prévio de agressões. O feminicídio, muitas vezes, não é um ato isolado, mas o desfecho de um ciclo de violência.

Por sua gravidade, é considerado um crime inafiançável e com tratamento mais rigoroso pela legislação brasileira.

Casos de violência doméstica podem ser denunciados pelo número 180.

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