Um registro audiovisual enviado por uma leitora à redação acendeu debates e aguçou a curiosidade de internautas nas redes sociais nesta quinta-feira (18). O vídeo, capturado em uma área de vegetação, mostra uma ave cujas características morfológicas, como a plumagem densa em tons de marrom e um bico longo e cilíndrico, guardam uma semelhança surpreendente com o kiwi (Apteryx), a célebre ave endêmica da Nova Zelândia e símbolo da fauna da Oceania.
A autora do vídeo relatou ter ficado intrigada ao avistar o animal Sem conseguir identificar a espécie por meio de buscas rápidas na internet, ela decidiu encaminhar o material para a equipe de reportagem na expectativa de esclarecer o mistério taxonômico.
Embora o impacto visual do vídeo sugira a presença de um animal exótico, biólogos e pesquisadores consultados apontam que as chances de um legítimo kiwi neozelandês estar circulando livremente pelas matas do Acre são praticamente nulas. O kiwi é uma ave que não voa (ratita), estritamente protegida por leis internacionais, e sua cadeia de manejo é monitorada rigidamente em nível global.
A principal hipótese levantada por especialistas em ornitologia é o fenômeno da semelhança visual com espécies nativas da própria biodiversidade amazônica. A região Norte do Brasil abriga diversas aves terrícolas de hábitos discretos que, dependendo do ângulo de filmagem, da iluminação e da distância, podem facilmente ser confundidas com animais de outros continentes por observadores leigos.
Entre as candidatas a “sósias” do kiwi encontradas em solo acreano, destacam-se:
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Inhambus e Codorna-do-nordeste (Tinamiidae): Aves caminhadoras de corpo arredondado, cauda curta e plumagem camuflada em tons terrestres. Quando jovens ou sob penumbra, sua silhueta assemelha-se muito à do animal neozelandês.
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Saracuras (Rallidae): Habitam margens de rios e áreas úmidas. Possuem bicos alongados e pernas fortes, movendo-se de forma ágil pelo chão da floresta.
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Socoí-vermelho ou aves de bico comprido: Algumas espécies de hábitos ribeirinhos utilizam o bico longo para perfurar o solo úmido atrás de invertebrados, mimetizando a postura de alimentação do kiwi.
O objetivo é identificar cientificamente a espécie filmada e esclarecer de forma definitiva o episódio que movimentou os grupos de mensagens locais.
Veja o vídeo:
