A adoção é um tema que há muito tempo se discute no Brasil, a trajetória é marcada por desafios de milhares de crianças e adolescentes que aguardam por uma família no país. Mesmo com o registro de mais 33 mil pretendentes habilitados à adoção, apenas cerca de 6 mil crianças estão disponíveis no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA). O principal motivo, no entanto, não é a falta de interessados, mas o perfil desejado pelos adotantes.
Dados apresentados pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) mostram que, atualmente, o Brasil possui 33.225 pretendentes para 6.173 crianças aptas à adoção. No Acre, são 62 pretendentes para apenas 12 crianças disponíveis. Já em Rio Branco, 36 pessoas aguardam na fila para adotar apenas quatro crianças.
Mesmo com a alta procura, especialistas apontam que muitas crianças permanecem anos em instituições de acolhimento porque não correspondem ao perfil mais buscado pelos pretendentes: crianças pequenas, sem irmãos e, principalmente, brancas
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O descompasso revela um problema estrutural que vai além da burocracia e evidencia reflexos do racismo presente na sociedade brasileira. Além disso, outros filtros desejados pelos adotantes, como ausência de deficiências, restringe as possibilidades de adoção mais rápida.
De acordo com os dados do sistema nacional (SNA), a realidade tende ser bem diferentes das expectativas, mais de 70% das crianças aptas à adoção no Brasil são negras, cerca de 85% das crianças disponíveis tem irmãos e grande parte das crianças estão na faixa de 4 a 17 anos de idade
Para o Judiciário acreano e entidades ligadas à infância, o Dia Nacional da Adoção é uma oportunidade de incentivar a chamada adoção necessária quando os pretendentes ampliam o perfil aceito e passam a considerar crianças mais velhas, negras, grupos de irmãos ou adolescentes.



