A eleição para a Câmara dos Deputados pode produzir uma das disputas mais apertadas já vistas dentro de uma chapa governista no Acre. A federação PP/União Brasil tem hoje cinco deputados federais e pretende, pelo menos, manter as cinco cadeiras. O desafio é que há candidatos competitivos demais para um número limitado de vagas, e todos estão no mesmo grupo que apoia a candidatura de Mailza Assis ao governo.
A principal referência da chapa é Socorro Neri (PP), atual deputada federal e a candidata mais votada do Acre na última eleição. O partido ainda tem outros dois parlamentares buscando a reeleição: Zezinho Barbary e José Adriano.
No União Brasil, a disputa também reúne nomes conhecidos do eleitorado. Entre eles estão o ex-prefeito Mazinho Serafim e Fábio Rueda, que, segundo avaliações dentro do próprio grupo, pode terminar a eleição entre os candidatos mais votados. O deputado Coronel Ulysses, que tenta renovar o mandato, completa a lista de nomes que chegam à disputa com bases eleitorais já consolidadas.
O incômodo
A disputa, porém, não está restrita às urnas. Dentro da própria chapa, alguns candidatos têm reclamado da forma como o governo vem distribuindo apoio.
A queixa é de que o Palácio estaria privilegiando determinadas candidaturas, oferecendo a alguns nomes mais espaço junto a secretários, estrutura e apoio de deputados estaduais. O incômodo é ainda maior entre candidatos que já têm mandato e esperavam um tratamento mais equilibrado dentro da própria base.
O governo, por sua vez, precisa administrar uma situação delicada: quer eleger cinco deputados federais, mas os candidatos sabem que, para uns entrarem, outros necessariamente ficarão pelo caminho.
Por enquanto, a disputa acontece no discurso, nas alianças e na distribuição de apoios. A diferença entre quem teve mais acesso à estrutura e quem ficou de fora só poderá ser medida de verdade quando as urnas forem fechadas.
Até lá, a maior briga da chapa governista pode ser justamente dentro de casa.
Conta que não fecha
A matemática da federação é simples no papel e complicada na prática. Se PP e União Brasil querem manter as cinco cadeiras que possuem hoje, precisarão dividir o voto entre uma lista que reúne nomes com mandato, ex-prefeito e candidatos que vêm crescendo na disputa. A questão é saber quem ficará pelo caminho. E, neste caso, não faltam candidatos com motivos para acreditar que podem estar entre os cinco.
Apoio que pesa
Na eleição proporcional, o apoio de prefeitos, vereadores e deputados estaduais pode fazer diferença, especialmente em uma disputa tão concentrada. Por isso, a movimentação de parlamentares estaduais em torno de determinadas candidaturas já provoca desconforto entre concorrentes da própria federação. O que para uns é apenas escolha política, para outros é sinal de que a disputa não está sendo jogada nas mesmas condições.
Os donos de mandato
Outro componente que torna a disputa incomum é a presença de três deputados do PP tentando renovar o mandato, enquanto Coronel Ulysses busca a reeleição pelo União Brasil. São quatro candidatos que já conhecem o caminho de Brasília e chegam à campanha com estruturas eleitorais próprias. Mas mandato não é garantia de reeleição e a eleição de 2026 terá uma concorrência interna maior do que a de anos anteriores.
Rueda no páreo
Fábio Rueda aparece como um dos nomes que podem mexer diretamente nessa conta. Sem mandato, ele entra na disputa justamente em uma chapa cheia de parlamentares, mas com uma vantagem importante: não precisa defender uma posição já conquistada. Fora o apoio da Executiva Nacional da sigla, que é presidida pelo irmão dele.
O preço da preferência
Para o governo Mailza Assis, o desafio é delicado. A governadora precisa preservar uma chapa capaz de entregar uma bancada forte em Brasília, mas também evitar que a disputa interna transforme aliados em adversários. Quanto mais explícita for a preferência por determinados nomes, maior tende a ser o desconforto entre os demais candidatos. A resposta definitiva, porém, não virá de reunião de partido nem de cálculo de campanha. Virá da urna.
