20/09/2026

Acre está entre os piores do Brasil em segurança no trânsito, aponta levantamento

Estado recebeu 2 estrelas no IRIS 2026

Por Anne Nascimento, ContilNet
A nota média atribuída ao estado foi de 2,0/Foto: ContilNet

O Acre recebeu apenas uma estrela na classificação geral de segurança no trânsito no IRIS 2026, levantamento do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) que compara indicadores das 27 Unidades da Federação. A nota média atribuída ao estado foi de 2,0, colocando o Acre entre os últimos colocados do país.

O estudo, divulgado n’O Estadão, utiliza dados referentes a 2024 e permite a comparação com a edição anterior, baseada em informações de 2023. A metodologia considera seis pilares do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans): gestão da segurança no trânsito, vias seguras, segurança veicular, educação para o trânsito, atendimento às vítimas e normatização e fiscalização, além de um sétimo pilar, dedicado aos indicadores de mortalidade.

Na classificação geral, o Acre aparece com a mesma nota do Amapá, enquanto o Amazonas ficou abaixo, com 1,9. Maranhão registrou 2,1. No outro extremo, o Distrito Federal alcançou quatro estrelas, seguido por Rio de Janeiro, com 3,9, e Goiás, com 3,8.

Acre teve uma das maiores quedas

Além da baixa classificação, o Acre aparece entre os estados que mais perderam posições na comparação entre as duas edições do levantamento. Segundo o ONSV, Acre e Amapá tiveram as maiores reduções na classificação geral, enquanto Roraima registrou o maior avanço.

Além disso, o observatório faz uma ressalva ao comparar os resultados: uma evolução ou queda percentual não deve ser interpretada isoladamente como melhora ou piora absoluta da segurança viária. O IRIS reúne diferentes indicadores para construir uma avaliação integrada das condições de segurança no trânsito.

A proposta do estudo é justamente identificar desigualdades entre os estados e acompanhar tendências ao longo do tempo, servindo como referência para políticas públicas.

Classificação dos Estados no pilar Gestão de Segurança no Trânsito Foto: Divulgação | ONSV

Fiscalização eletrônica é um dos pontos críticos

Um dos indicadores que chamam atenção no caso acreano é a estrutura de fiscalização. Acre, Amazonas e Rondônia aparecem entre os estados com menores taxas de câmeras de fiscalização em relação à frota de veículos.

O dado é relevante porque, segundo o ONSV, equipamentos de fiscalização eletrônica não servem apenas para registrar infrações. Radares e câmeras também podem contribuir para reduzir a velocidade média dos veículos e atuar de forma preventiva.

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O próprio Observatório destaca a fiscalização eletrônica como uma das ferramentas que podem contribuir para a redução de riscos no trânsito. A quantidade de multas também precisa ser analisada com cautela. Um número baixo de autuações não significa necessariamente que os motoristas estejam cometendo menos infrações. O resultado pode estar relacionado à menor capacidade de fiscalização.

Por isso, o IRIS considera a estrutura disponível para fiscalizar ao interpretar os registros de infrações.

Álcool aparece entre os indicadores analisados

Outro dado destacado no levantamento é relacionado às infrações por alcoolemia. O Acre aparece entre os estados com maiores taxas de infrações relacionadas ao consumo de álcool ao volante, ao lado de Mato Grosso e Roraima.

O resultado, porém, não deve ser interpretado isoladamente como uma medida direta do comportamento dos motoristas. Assim como ocorre com outros tipos de infração, o número de registros também depende da intensidade da fiscalização.

O ONSV ressalta que a combinação entre fiscalização, educação, gestão e outros fatores é necessária para compreender o cenário da segurança viária. A instituição também aponta álcool, excesso de velocidade e comportamento dos condutores como fatores presentes no debate sobre sinistros de trânsito.

Educação para o trânsito também deixa Acre entre os últimos

No pilar específico de Educação para o Trânsito, o Acre recebeu uma estrela. O estado aparece no grupo formado por Amazonas, Mato Grosso do Sul, Amapá, Mato Grosso e Roraima, todos classificados com uma estrela nesse indicador.

O resultado mostra que a baixa avaliação do Acre não está concentrada em apenas um aspecto. A classificação considera diferentes dimensões da segurança viária e, no caso acreano, a educação para o trânsito aparece entre os pontos de menor desempenho.

A metodologia do IRIS foi desenvolvida justamente para observar o trânsito como um sistema, reunindo fatores que vão desde educação e fiscalização até infraestrutura, atendimento às vítimas e mortalidade.

Qualidade dos dados também pesa

Outro problema identificado pelo estudo está na disponibilidade e na qualidade das informações utilizadas para planejar a segurança viária. No pilar de Gestão da Segurança no Trânsito, o levantamento considera, entre outros fatores, a integração dos municípios ao Sistema Nacional de Trânsito, a qualidade dos registros do RENAEST e as informações disponibilizadas pelos Detrans.

O ONSV afirma que apenas cinco estados apresentaram informações consideradas suficientemente completas no RENAEST. Nos demais, houve elevada proporção de campos sem informação, o que dificulta a elaboração de diagnósticos e o planejamento de ações.

A qualidade dos dados é tratada pelo Observatório como parte importante da própria gestão da segurança viária.

Não é apenas uma questão de número de mortes

O IRIS não funciona como um ranking baseado exclusivamente na quantidade de pessoas mortas em acidentes de trânsito. A metodologia reúne indicadores de diferentes áreas para produzir uma classificação integrada. O objetivo, segundo o ONSV, é oferecer uma referência para identificar desigualdades, acompanhar tendências e apoiar o direcionamento de políticas públicas.

O estudo considera sete pilares: Gestão da Segurança no Trânsito, Vias Seguras, Segurança Veicular, Educação para o Trânsito, Atendimento às Vítimas, Normatização e Fiscalização e Mortalidade.

Assim, a classificação de uma estrela atribuída ao Acre precisa ser compreendida dentro desse conjunto de indicadores.

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