Depois de anos figurando entre os estados mais violentos do paĂs, o Acre registrou em 2024 uma das maiores reduções de homicĂdios do Brasil. Segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (26), pelo Atlas da ViolĂŞncia, o estado teve queda de 20,9% na taxa estimada de mortes violentas e passou, pela primeira vez em mais de uma dĂ©cada, a ficar abaixo da mĂ©dia nacional.
A taxa acreana fechou o ano em 21,2 homicĂdios por 100 mil habitantes, enquanto a mĂ©dia brasileira ficou em 23,4. O estado apareceu como o terceiro com maior redução proporcional da violĂŞncia letal no paĂs, atrás apenas de Sergipe e RondĂ´nia.
AlĂ©m disso, segundo o relatĂłrio, sistemas de inteligĂŞncia artificial identificaram que 40% das mortes inicialmente registradas como MVCI (Mortes Violentas por Causa Indeterminada) no estado eram, na verdade, homicĂdios ocultos.
Na prática, isso significa que assassinatos deixaram de entrar oficialmente nas estatĂsticas criminais por falhas de investigação, perĂcia ou preenchimento dos registros de Ăłbito.
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HomicĂdios em 2024
Em 2024, o Acre contabilizou oficialmente 174 homicĂdios, mas o estudo aponta que o nĂşmero real chegou a 182 mortes apĂłs a reclassificação de oito casos ocultos.
Entre os homens, foram 165 homicĂdios registrados oficialmente e outros sete ocultos, totalizando 172 vĂtimas. Entre as mulheres, nove assassinatos constavam nos registros e um caso oculto foi identificado posteriormente, elevando o total para 10 mortes.
Os jovens continuam sendo as principais vĂtimas da violĂŞncia no estado.
O levantamento mostra que 90 pessoas entre 15 e 29 anos morreram vĂtimas de homicĂdio no Acre em 2024, sendo 86 casos oficialmente registrados e outros quatro classificados como homicĂdios ocultos.
A taxa estimada de homicĂdios juvenis caiu para 41 mortes por 100 mil jovens, uma redução de 23,8% em relação ao ano anterior. Apesar da melhora, o cenário ainda Ă© considerado preocupante, principalmente pelo histĂłrico recente do estado.
Em 2017, durante o auge da guerra entre facções criminosas pelas rotas de fronteira, o Acre chegou a atingir uma taxa de 125,7 homicĂdios por 100 mil jovens — uma das maiores já registradas no paĂs.
O estudo tambĂ©m revela forte desigualdade racial entre as vĂtimas.
Pessoas negras – grupo formado por pretos e pardos – representaram a maioria esmagadora dos assassinados no estado. Foram 163 vĂtimas negras em 2024, considerando os homicĂdios registrados e os ocultos identificados posteriormente.
Entre pessoas nĂŁo negras, o total ficou em 19 mortes. Isso significa que um indivĂduo negro teve 1,7 vez mais chance de ser assassinado no Acre do que uma pessoa branca, amarela ou indĂgena.
As armas de fogo seguem como principal instrumento da violĂŞncia letal acreana. Das mortes registradas no estado, 118 ocorreram com disparos, o equivalente a 67,8% dos homicĂdios.
Apesar disso, o Acre apresentou redução de quase 20% nos homicĂdios cometidos com armas de fogo em comparação com 2023, alĂ©m de queda acumulada de 46,1% nos Ăşltimos cinco anos.



