Acreano de escola pĂșblica Ă© um dos primeiros do Brasil com mestrado acadĂȘmico em desastres naturais

Por Everton Damasceno, ContilNet 15/08/2021 Ă s 17:35
Alan tem apenas 30 anos/Foto: Reprodução

O acreano Alan dos Santos Pimentel, de 30 anos, natural de Rio Branco, ganhou destaque nessa Ășltima semana apĂłs defender a sua tese de mestrado sobre desastres naturais no Brasil.

GeĂłgrafo formado pela Universidade Federal do Acre (Ufac) em 2014, ele Ă© um dos primeiros do paĂ­s a receber a titulação do mestrado acadĂȘmico com foco na temĂĄtica pela Universidade Estadual Paulista, em parceira com Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais. Alan Ă© tambĂ©m o primeiro acreano com mestrado na ĂĄrea.

O cientista sempre foi aluno de escola pĂșblica e morou a maior parte sua vida no bairro Taquari.

Quando questionado sobre o que o fez procurar essa ĂĄrea para se especializar, Pimentel disse que jĂĄ participava de grupos de pesquisa sobre o assunto ainda na graduação. AlĂ©m do contato com a teoria, ter vivenciado as consequĂȘncias de um desastre, ao apontar as alagaçÔes recorrentes no bairro em que nasceu, lhe fez se interessar pelo assunto.

Alan na apresentação da dissertação de mestrado/Foto: Reprodução

“Durante minha graduação na Ufac, comecei a participar do Grupo de Pesquisa em GestĂŁo de Riscos de Desastres no Setem (Setor de Estudos do Uso da Terra e de Mudanças Globais). Foi o meu primeiro contato acadĂȘmico com a temĂĄtica, a vivĂȘncia eu jĂĄ tinha por conta das inundaçÔes recorrentes que atingem o bairro onde vivo”, destacou.

“Pelo grupo de pesquisa, comecei a participar e colaborar no MiniMAP – GestĂŁo de Riscos e Defesa Civil, onde participam integrantes da trĂ­plice fronteira (Peru, Brasil e BolĂ­via) no monitoramento de desastres. Nesse mesmo perĂ­odo, comecei a estagiar na sala de situação de monitoramento hidrometeorolĂłgico do Governo do Estado do Acre. Ao me formar, ingressei para o corpo tĂ©cnico da Sala de Situação, trabalhando no monitoramento de desastres no Acre. Foram aproximadamente 8 anos convivendo com tĂ©cnicos, pesquisadores, participando de pesquisa e as rotinas diĂĄrias de monitoramento, que me trouxeram o anseio de me tornar de fato pesquisador na ĂĄrea”, continuou.

Alan explicou que 2019 foi o ano em que surgiu a oportunidade de ingressar no mestrado.

“Em 2019, surgiu a oportunidade de tentar uma vaga no mestrado acadĂȘmico em desastres, no qual fui aprovado em primeiro lugar. Pedi exoneração do meu cargo na Sala de Situação e vim morar em SĂŁo JosĂ© dos Campos (SP). O maior motivador pelo mestrado acadĂȘmico foi o de buscar mais conhecimento com o propĂłsito de poder contribuir mais com essa temĂĄtica que tem impactado tanto a vida das pessoas”, salientou.

O pesquisador conta que a satisfação é grande ao perceber que um acreano ocupa um lugar tão importante na produção de conhecimentos que são indispensåveis para o bem estar das pessoas.

Ao final, ele agradeceu os que fizeram parte de sua caminhada e contribuíram para o sucesso alcançado.

“A sensação Ă© de muita felicidade, de conseguir conquistar alĂ©m do tĂ­tulo, uma bagagem de conhecimento e experiĂȘncias. NĂŁo foi fĂĄcil mudar de Estado, ficar longe da famĂ­lia, a rotina de estudos e estar realizando algo que sĂł estava em meus pensamentos. Ser da primeira turma da pĂłs-graduação em desastres Ă© uma grande conquista, tanto para mim quanto para meus pais que sempre doaram o seu melhor para mim. NĂŁo cheguei aqui sozinho, tenho muito para agradecer aos pesquisadores e amigos da Sala de Situação e do Setem, que sempre me incentivaram, aos professores da pĂłs-graduação, em especial a minha orientadora prof. Dra. Tatiana Sussel, que me acompanhou durante toda essa jornada”, concluiu.

ConteĂșdo Original / Fonte: EVERTON DAMASCENO, DO CONTILNET

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