Baixa vacinação explica aumento de internações por SRAG no Acre, diz Sesacre

Nenhum grupo prioritário atingiu a meta de 90% de imunização

Por Sávio Buriti, ContilNet 05/07/2026 às 08:08
Entre os idosos, a cobertura chega a 27,48%, índice muito distante da meta estabelecida | Foto: Júnior Aguiar/Sesacre

O Acre permanece em situação de alerta para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) diante dos baixos índices de cobertura vacinal contra a Influenza Trivalente na campanha 2025/2026. Os dados constam no mais recente boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), na sexta-feira (3), e revelam um cenário preocupante, já que nenhum dos grupos prioritários alcançou a meta de 90% de imunização, percentual considerado essencial para reduzir a circulação do vírus e conter o avanço das infecções respiratórias no estado.

De acordo com o relatório, a baixa adesão à vacinação é um dos fatores que ajudam a sustentar o cenário de alta pressão sobre a rede hospitalar do estado, com destaque para o aumento das internações por doenças respiratórias entre crianças menores de 10 anos e idosos acima de 60 anos, grupos que seguem como os mais afetados pela evolução dos casos para formas graves da doença.

O boletim chama atenção para um dos indicadores mais críticos entre todos os analisados: a cobertura vacinal das puérperas, que registra apenas 2,60% no estado. O percentual é considerado extremamente baixo e aponta para uma situação de quase ausência de proteção no período pós-parto, o que preocupa as autoridades de saúde devido à redução da imunidade indireta repassada aos recém-nascidos, especialmente por meio da amamentação.

Entre os idosos, a cobertura chega a 27,48%, índice muito distante da meta estabelecida. Apesar de o boletim indicar redução de óbitos por SRAG nessa faixa etária em 2026, o documento reforça que a baixa imunização mantém um risco persistente de novos surtos e aumento expressivo de internações hospitalares, sobretudo em períodos de maior circulação viral.

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Acre já registrou mais de 1,7 mil casos de SRAG nos primeiros meses do ano/Foto: Reprodução

No público infantil, a situação também é considerada preocupante. Crianças de seis meses a menores de seis anos apresentam cobertura de 41,02%, o que representa menos da metade do percentual recomendado. A Sesacre destaca que esse cenário está diretamente relacionado ao número elevado de atendimentos por síndrome gripal e à evolução de casos para SRAG em unidades de saúde do estado, especialmente entre crianças menores de dois anos.

Entre as gestantes, o índice de cobertura é de 64,05%, o melhor resultado entre os grupos prioritários analisados, mas ainda insuficiente para atingir a proteção coletiva necessária. Já a população indígena apresenta 30,73% de cobertura, número considerado crítico diante da maior vulnerabilidade desse grupo a infecções respiratórias, somado a barreiras geográficas e dificuldades de acesso aos serviços de saúde em áreas mais remotas.

O boletim também evidencia desigualdades significativas entre as regionais de saúde do Acre. No Juruá, a situação é classificada como uma das mais delicadas do estado, com média de apenas 21,01% de cobertura vacinal entre idosos. Municípios como Rodrigues Alves, com 11,94%, e Porto Walter, com 17,39%, apresentam os menores índices registrados.

Ainda na região, Cruzeiro do Sul registra 34,09% de cobertura entre crianças, o que, segundo o boletim, contribui para a elevada demanda de atendimentos no Hospital Regional do Juruá, que figura como um dos principais polos de internação por SRAG no interior do estado.

Na Regional do Baixo Acre, que concentra a maior densidade populacional, os índices também permanecem abaixo do ideal. Em Rio Branco, a cobertura alcança 40,50% entre crianças e 44,65% entre idosos, valores considerados insuficientes para garantir proteção coletiva adequada. O cenário é ainda mais crítico em municípios como Bujari, onde apenas 8,28% dos idosos e 20,87% das crianças foram imunizados, contribuindo para a sobrecarga do sistema de saúde e aumento da demanda no Hospital Infantil Iolanda Costa e Silva.

Outro ponto de destaque no relatório é o cenário das puérperas em nível municipal. Em 13 dos 22 municípios acreanos, a cobertura vacinal é de 0%, incluindo a capital Rio Branco. Apenas Xapuri apresenta registro de imunização, com 2,70%. A Sesacre classifica essa situação como um dos principais pontos de vulnerabilidade do estado, já que compromete diretamente a proteção dos recém-nascidos e amplia o risco de agravamento dos casos respiratórios na primeira infância.

Diante disso, a Secretaria de Estado de Saúde reforça que a vacinação contra a Influenza segue como a principal estratégia para reduzir casos graves, internações e óbitos por doenças respiratórias. O órgão também destaca a necessidade de intensificação das campanhas de imunização nos municípios, com foco especial nos grupos prioritários, como forma de conter a circulação viral e aliviar a pressão sobre a rede hospitalar.

O boletim conclui que a combinação entre baixa cobertura vacinal e circulação simultânea de múltiplos vírus respiratórios mantém o Acre em um cenário de alta vulnerabilidade epidemiológica, exigindo resposta contínua das ações de vigilância e prevenção em todo o estado.

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