Um dos municípios mais isolados do Brasil e certamente do mundo, cujo acesso só é possível pelas vias terrestre e fluvial, Santa Rosa do Purus, no interior do Acre, com seus 6.362 habitantes e exatos 210 veículos automotores rodando em suas ruas segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2018, acaba de se integrar ao sistema de transporte mundial por aplicativo. Numa cidade em que, além da distância, tudo é difícil, inclusive a internet, para baixar as plataformas e aplicativos de Uber, motoristas da cidade criaram um sistema local sui generis para cobrar por corridas no município.
“O valor por cada corrida, independente do quilometragem, para perto ou de longe, é de R$ 13,00 por pessoas”, conta um dos quatros motorista de “aplicativo” da cidade, Rones de Lima Sales, de 32 anos, que está em Rio Branco em tratamento de saúde para a esposa e revelou ao ContilNet a estratégia dos motoristas locais. “Como lá não tem emprego, tivemos que aprender a nos virar. Sem internet para o aplicativo em tempo integral, a gente teve que encontrar alternativas para trabalhar e sobreviver”, conta.

Foto: Cedida
O uso de transporte via motorista de “aplicativo” em Santa Rosa é um tanto quanto diferente da plataforma que revolucionou o sistema de transporte no mundo. A história da Uber teve início em 2009, quando seus fundadores, Garrett Camp e Travis Kalanick, tiveram dificuldade para encontrar um táxi nos Estados Unidos, conta o sistema de identificação da empresa na internet. A apresentação conta ainda que, percebendo a demanda por transporte, os executivos resolveram criar uma plataforma que permitisse solicitar carros via aplicativo. Com isso, a Uber Technologies Inc. foi fundada em junho de 2010, na cidade de São Francisco, Califórnia, Estados Unidos, para oferecer o aplicativo de mobilidade, com foco inicial no serviço com carros de luxo.
Após receber investimentos de grandes empresas, a Uber passou a expandir sua área de atuação e, também, o seu portfólio de serviços. Hoje, além de conectar motoristas e usuários do aplicativo, disponível para Android e iOS, a empresa também oferece serviços de entrega de alimentos e objetos, transporte de carga e conta com laboratórios para o desenvolvimento de tecnologias para carros autônomos.
O leque de categorias também foi ampliado no app da Uber. No quesito mobilidade, a empresa continua a oferecer uma opção premium (Uber Black), seja para pessoas físicas ou para empresas, que podem gerenciar viagens para os seus funcionários. Entretanto, também é possível escolher categorias mais econômicas, como o UberX, por exemplo.
Atualmente, a companhia está presente em mais de 10 mil cidades do globo. De acordo com informações de 2020, a plataforma conta com cerca 122 milhões de usuários, aproximadamente 5 milhões de motoristas/entregadores parceiros, e realiza cerca de 20 milhões de viagens/entregas por dia, no mundo todo.
A Uber chegou ao Brasil em 2014, com atuação inicial no Rio de Janeiro. A segunda cidade a receber o aplicativo foi São Paulo, seguida por Belo Horizonte. Segundo dados recentes, mais de 500 cidades brasileiras contam com os serviços da empresa, realizados por cerca de 1 milhão de motoristas e entregadores parceiros. Menos em Santa Rosa do Purus, que tem seu serviço de Uber próprio e que os executivos americanos bem que deveriam conhecer.
Como em Santa Rosa o litro de gasolina custa em média R$ 10,00, e a cidade não tem venda de peças, pneus e não dispõe de qualquer serviço de mecânica, os motoristas são responsáveis pela manutenção de seus veículos e repassam seus gastos aos usuários. Numa cidade em que praticamente todo mundo conhece todo mundo, os usuários acessam os motoristas por serviços de mensagens no WhatsApp e marcam os locais de embarque e destino das corridas, a R$ 13,00 para qualquer distância.
Como no Uber fundado nos EUA, Rones de Lima Sales revela que ele e seus companheiros transportam, além dos passageiros, o que eles precisam carregar: frutas, verduras, peixes e tudo o que for necessário, sem cobrar pelos volumes. “Nosso foco é o passageiro”, diz Rones. “Outro dia eu carreguei até um motor de batelão”, revelou.
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