09/09/2026

Criança teria sido torturada pelo padrasto antes de morrer; mãe também é detida

Carlos Bayma revelou que a principal linha de apuração trabalha com a hipótese de homicídio qualificado por agressões e possível tortura

Por Everton Damasceno, ContilNet

A Polícia Civil do Acre (PCAC) segue investigando as circunstâncias da morte do pequeno Davi Lucas Santos Maia, de apenas 3 anos de idade, registrada na zona rural da divisa entre Porto Acre e Boca do Acre. O padrasto da criança, Tacio Gomes dos Santos, de 23 anos, é o principal suspeito do crime e foi detido pelas autoridades. A mãe do menino, Ana Clara dos Santos, de 18 anos, também foi presa sob suspeita de negligência.

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Segundo o relato do delegado titular de Porto Acre, Carlos Bayma, a suspeita é de que o menino tenha sido gravemente agredido na residência da família, localizada em uma comunidade rural. Ao perceberem a gravidade do estado de saúde de Davi Lucas, o casal tentou levá-lo de barco até o município de Porto Acre em busca de socorro médico — um trajeto que dura cerca de 20 minutos. No entanto, a criança não resistiu às lesões durante o percurso fluvial e já chegou sem vida à cidade.

Em entrevista exclusiva sobre o andamento das investigações, Carlos Bayma revelou que a principal linha de apuração trabalha com a hipótese de homicídio qualificado por agressões e possível tortura.

Conforme detalhado pelo delegado, o corpo de Davi Lucas apresentava diversas lesões visíveis e espalhadas, o que levantou o alerta imediato das equipes policiais e periciais:

“O que tem na nossa investigação trabalha já com homicídio”, afirmou Carlos Bayma. “Possível tortura, possível tortura. Bastante [marcas espalhadas]: nádegas, costas, pernas…”

Apesar dos fortes indícios coletados no início das diligências, o delegado destacou que a polícia aguarda o envio dos laudos periciais para obter a confirmação científica da causa da morte e da dinâmica das lesões.

“Para a gente ter ainda absoluta certeza, estamos precisando de dois laudos: um de local de crime e um do corpo da vítima, que está sendo feito agora”, explicou o delegado.

Suspeita de abuso e situação dos envolvidos

Indagado sobre a possibilidade de crime contra a dignidade sexual, o delegado informou que o exame cadavérico abrange essa verificação, mas antecipou que essa vertente tende a ser descartada no momento.

“Vai sair [a análise no laudo], vai ser feito o laudo. Mas nós estamos descartando isso daí”, apontou Bayma.

A mãe da criança, Ana Clara dos Santos, foi presa em flagrante junto ao companheiro Tacio Gomes. No entanto, a polícia avalia a conduta da genitora como uma omissão diante das agressões sofridas pela vítima.

“Foi detida, foi presa também. Mas eu acho que ela vai sair na audiência de custódia, porque tem uma filha de dois anos que amamenta”, detalhou o delegado.

“A gente acha que ela foi negligente”, complementou.

Padrasto nega envolvimento

Durante o interrogatório, Tacio Gomes negou todas as acusações e não deu explicações concretas sobre a presença de Davi Lucas na área de rio onde testemunhas relataram ter ouvido gritos.

“Nega, nega tudo”, afirmou o responsável pelo caso.

Socorro via fluvial e transferência do procedimento

O delegado detalhou a dinâmica percorrida pelo casal na tentativa de socorrer o menino após o agravamento do estado de saúde. Segundo ele, os dois buscaram atendimento médico em Porto Acre utilizando via fluvial.

“A nossa suspeita é que eles maltrataram a criança, viram que foi sério e vieram buscar socorro em Porto Acre, que é a 20 minutos de barco do local na zona rural”, explicou Bayma.

“A criança morreu na viagem, já chegou em Porto Acre em óbito”, concluiu.

Como o flagrante foi registrado no período noturno, os procedimentos foram direcionados inicialmente para a Delegacia de Flagrantes (DEFLA), em Rio Branco, e devem retornar para a Delegacia de Porto Acre para a conclusão do inquérito policial.

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