A Marcha dos Prefeitos em Brasília era pra ser um encontro sério. Discussão sobre saúde, educação, obras, dinheiro para os municípios e melhoria para o povo. Mas pelo jeito teve prefeito que ouviu “marcha” e pensou que era carnaval fora de época.
Segundo reportagem do Metrópoles, depois das reuniões oficiais começou outro tipo de agenda. E essa agenda tinha mais perfume caro, espumante e confusão do que qualquer sessão da Câmara Municipal.
Durante o dia era aquela conversa:
— Precisamos economizar.
— Os municípios estão sofrendo.
— A situação está difícil.
Mas bastava dar dez horas da noite que alguns gestores esqueciam a crise rapidinho. Teve prefeito que parecia adolescente em viagem de formatura. Terno jogado no braço, sorriso frouxo e animação que nem servidor recebendo salário atrasado.
Os restaurantes chiques de Brasília viraram praticamente uma prefeitura paralela. Só que em vez de secretário de obras, tinha garçom organizando mesa. Em vez de reunião sobre asfalto, tinha prefeito preocupado era com quem sentaria ao lado dele.

E o mais engraçado é imaginar a cara da turma no outro dia cedo. Olho vermelho, café sem açúcar e reunião às oito da manhã.
— Prefeito, o senhor leu o projeto?
— Rapaz… eu mal consegui achar meu hotel.
Enquanto isso, o povo no interior continua brigando com buraco na rua, posto sem remédio e ponte caindo aos pedaços. Mas alguns gestores mostraram que, quando o assunto é diversão, a administração funciona direitinho.
Teve gente, alguns do Acre, que foi pra Brasília atrás de emenda parlamentar e quase voltou com problema matrimonial. Outros provavelmente gastaram mais com perfume importado em três noites do que com tapa-buraco no município inteiro.
No fim das contas, a Marcha dos Prefeitos virou quase uma excursão do Cabaré Tour Brasil. O único planejamento estratégico de certos gestores era descobrir onde seria o próximo after.
E depois ainda aparecem nas redes sociais dizendo:
“Estamos trabalhando firme pelo povo.”
Firme talvez até estivessem. Mas trabalhando já é outra conversa.

