O ataque a tiros ocorrido na noite deste sábado (5), no loteamento Rosalinda, em Rio Branco, expõe mais uma vez uma realidade que precisa ser enfrentada com seriedade pelas autoridades de segurança pública do Acre: a violência praticada por criminosos não está mais restrita aos seus alvos.
Um trabalhador morreu. Uma mulher ficou ferida. Duas crianças de apens 9 anos foram atingidas por disparos.
Antônio Valcemir Queiroz da Silva, de 27 anos, estava trabalhando na construção de um muro quando dois homens chegaram em uma motocicleta e efetuaram vários disparos. As investigações ainda deverão esclarecer a motivação e identificar os responsáveis pelo ataque.
O que já se sabe, porém, é suficiente para provocar preocupação.
A presença de crianças entre as vítimas demonstra o grau de risco a que a população está exposta quando confrontos e ações criminosas acontecem em áreas residenciais. Não se trata apenas de combater homicídios. Trata-se de garantir que trabalhadores possam exercer suas atividades e que famílias possam circular pelos bairros sem se tornar vítimas de uma violência que não provocaram.
É justamente nesse ponto que a atuação das forças de segurança precisa ser cobrada.
A Polícia Militar tem a responsabilidade pelo policiamento ostensivo e pela prevenção. A Polícia Civil deve avançar na investigação e na identificação dos autores. Os setores de inteligência precisam contribuir para identificar organizações, lideranças e a dinâmica dos grupos criminosos que atuam no Estado.
E essas ações precisam estar integradas.
Prender os autores de um ataque é fundamental. Mas, diante do avanço das organizações criminosas, a resposta do poder público não pode se limitar à investigação de cada ocorrência isoladamente. É necessário atacar as estruturas que sustentam o crime: tráfico de drogas, circulação de armas, recrutamento de novos integrantes e disputas por território.
O episódio do Rosalinda também reforça a necessidade de uma política de segurança capaz de combinar presença policial, investigação qualificada e prevenção.
A população não pode ser chamada a conviver permanentemente com o medo.
Não é razoável que um trabalhador seja morto enquanto exerce sua profissão. Não é aceitável que crianças sejam atingidas por tiros em uma rua de bairro. E não pode ser tratado como algo corriqueiro o fato de famílias inteiras ficarem expostas a ataques promovidos por criminosos.
O caso agora está nas mãos da Polícia Civil, que deverá esclarecer as circunstâncias do homicídio e das tentativas de homicídio. A sociedade espera que a investigação identifique não apenas quem efetuou os disparos, mas também quem eventualmente determinou, financiou ou participou do ataque.
Mais do que respostas para este caso, entretanto, o episódio exige uma reflexão sobre a segurança pública no Acre.
A cada novo crime com vítimas inocentes, aumenta a necessidade de uma resposta mais eficiente do Estado.
O cidadão não pode ocupar o lugar de espectador em uma guerra entre criminosos.
Quem trabalha, quem cria os filhos e quem vive nos bairros de Rio Branco precisa ter a garantia de que o Estado está presente e de que as forças de segurança possuem condições de enfrentar as organizações criminosas.
A morte de Antônio e os ferimentos sofridos pela mulher e pelas duas crianças não podem ser reduzidos a mais uma ocorrência registrada nos boletins policiais.
O caso precisa ser investigado, os responsáveis precisam responder perante a Justiça e, sobretudo, as autoridades precisam trabalhar para que uma tragédia semelhante não se repita.
Segurança pública se mede também pela capacidade do Estado de proteger quem não tem nenhuma relação com o crime.
É essa proteção que a população espera.
