A notícia de que a empresa Ricco Transportes pretende realizar uma manifestação em frente à Prefeitura de Rio Branco para cobrar quase R$ 30 milhões do poder público inevitavelmente provoca uma reflexão: afinal, quantos milhões a empresa já recebeu ao longo dos anos para operar o transporte coletivo da capital?
Durante décadas, a população de Rio Branco conviveu com reclamações constantes sobre a qualidade do serviço prestado. Ônibus velhos, atrasos frequentes, superlotação, falta de conforto e uma série de problemas transformaram o transporte coletivo em motivo permanente de insatisfação para milhares de usuários.
Agora, a mesma empresa que acumulou contratos milionários junto ao município anuncia um protesto para pressionar a administração municipal a liberar recursos que, segundo ela, estariam em atraso. A cobrança gira em torno de quase R$ 30 milhões.
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É evidente que toda empresa tem o direito de buscar o recebimento de valores que considere devidos. O que chama atenção, entretanto, é que a cobrança milionária feita ao longo dos anos nunca foi acompanhada de um serviço que estivesse à altura dos investimentos realizados com dinheiro público.
Quem depende diariamente dos ônibus sabe bem do que está falando. São trabalhadores, estudantes, idosos e mães de família que enfrentaram durante anos um sistema marcado por falhas recorrentes e pela sensação de abandono.
Antes de qualquer discussão sobre novos repasses milionários, a população também tem o direito de perguntar quanto já foi pago, quais foram os resultados entregues e por que o transporte coletivo de Rio Branco permaneceu por tanto tempo distante do padrão de qualidade que os usuários merecem.
A manifestação anunciada pela Ricco certamente chamará atenção. Mas talvez o maior protesto seja o da própria população, que há anos reclama de um serviço considerado por muitos como um dos maiores gargalos da capital acreana.
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