Filha de Chico Mendes, Ă‚ngela se solidariza com famĂ­lias de Dom e Bruno: “Senti a mesma dor há 30 anos”

Por NANY DAMASCENO, DO CONTILNET 16/06/2022 Ă s 14:39
Foto: reprodução

Ângela Mendes, filha do ambientalista acreano Chico Mendes, assassinado em 1988, fez um pronunciamento emocionado nesta quinta-feira (16), sobre o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, também defensores da Amazônia.

Chorando, Ă‚ngela disse se identifica com as famĂ­lias das vĂ­timas. “É impossĂ­vel nĂŁo se emocionar, mas eu nĂŁo poderia deixar de vir aqui externalizar tudo o que estou sentindo, a dor, angĂşstia, pois me identifico com a famĂ­lia do Dom, do Bruno, assim como tambĂ©m já me identifiquei com a famĂ­lia da irmĂŁ Dorothy, do JosĂ© Cláudio, da Maria do EspĂ­rito Santos, me identifico com a dor da famĂ­lia do padre JĂłzimo”, disse Mendes, lembrando ainda de povos indĂ­genas que a cada ano perdem suas vidas ao terem seus territĂłrios invadidos.

A morte de Chico Mendes foi relembrada por ter sido o primeiro crime do tipo que chocou o mundo e colocou o Acre em evidencia na mídia mundial. O seringueiro e defensor das florestas em pé foi morto em em Xapuri no dia 22 de dezembro de 1988. Antes de ser morto, foi alvo de inúmeras ameaças de  por causa de sua luta ambiental. Chico foi morto quando estava em sua casa, foi atingido com tiros de escopeta por Darci Alves, que agiu em conluio com seu pai, Darly Alves, conhecido grileiro de terras.

“Eu senti a mesma dor há 30 anos e continuo sentindo, Ă© um dor que nĂŁo passa, mas nos impulsiona a ir em frente e lutar mais. A cada ambientalista morto, milhares se levantam e Ă© por isso que a gente continua aqui, pois a gente sabe que nĂŁo está sĂł”, finaliza Ă‚ngela.

Assista:

 

Sobre a morte de Dom e Bruno

Na segunda-feira (6), o desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips foi comunicado pela União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), na região do município de Atalaia do Norte, no Amazonas. De acordo com informações da Univaja, os dois chegaram no Lago do Jaburu no dia 3 de junho para visitar a equipe de Vigilância Indígena.

O indigenista e o britânico desapareceram quando faziam o trajeto entre a comunidade ribeirinha São Rafael até Atalaia do Norte. A área faz parte do Vale do Javari, segunda maior terra indígena do país e local da maior concentração do mundo de povos isolados. Phillips, que era colaborador do jornal britânico “The Guardian”, iria fazer entrevistas com indígenas na região e Pereira o acompanhava na realização do trabalho.

No dia 5, Pereira e Phillips deixaram o lago e partiram para a comunidade SĂŁo Rafael, onde o indigenista participaria de uma reuniĂŁo e chegaram ao destino por volta de 6h.

Após conversarem com uma local, ambos recomeçaram o trajeto de retorno à Atalaia do Norte e não foram mais vistos.

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