Enquanto o fim da escala 6×1 foi aprovada pelo Câmara dos Deputados, um levantamento divulgado pelo “Brasil Em Mapas”, com base em dados da RAIS/MTE e da PNAD Contínua/IBGE de 2025, coloca o Acre entre os estados com maior intensidade de jornada de trabalho do Brasil.
Segundo o estudo, 68% dos trabalhadores acreanos cumprem jornadas acima de 44 horas semanais, percentual bem superior à média nacional, que é de 56%. A média de horas trabalhadas no estado também chama atenção: 45,3 horas por semana, ultrapassando o limite legal previsto na legislação trabalhista brasileira.
O Acre aparece entre os estados com maior carga horária do país, ao lado de Pará, Maranhão, Amazonas e Piauí, todos localizados nas regiões Norte e Nordeste, onde o levantamento identificou os maiores índices de jornadas extensas.

Acre aparece entre os estados com maior carga horária do país. — Foto: Reprodução/Redes sociais
Os dados revelam ainda uma forte desigualdade regional no mercado de trabalho brasileiro. Enquanto estados do Norte concentram médias superiores a 45 horas semanais, unidades federativas como Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo registram jornadas menores.
De acordo com a análise apresentada no estudo, o cenário está diretamente relacionado à maior informalidade, ao trabalho por conta própria e aos menores níveis de renda média observados em estados das regiões Norte e Nordeste.
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O levantamento aponta que o Norte lidera nacionalmente em intensidade de trabalho, com média regional de 45,3 horas semanais e 69% dos trabalhadores em jornadas consideradas longas.
Aprovação da Câmara
Pelo texto aprovado, a primeira mudança entra em vigor 60 dias após a promulgação da PEC. A partir desse prazo, os trabalhadores passarão a ter escala de cinco dias de trabalho para dois de descanso (5×2), além da redução da jornada semanal de 44 para 42 horas.
A segunda etapa da transição ocorrerá 12 meses depois da implementação das 42 horas semanais. Nesse momento, a jornada será reduzida definitivamente para 40 horas semanais, mantendo o limite máximo de oito horas diárias de trabalho.
A transição foi incluída após acordo entre o governo federal e o presidente da Câmara, Hugo Motta, para facilitar a adaptação das empresas ao novo modelo.
O texto também prevê que, durante o período de transição, poderá haver ampliação da jornada diária mediante negociação coletiva entre trabalhadores e empregadores.
Antes de chegar ao plenário, a proposta foi aprovada na comissão especial da Câmara por 34 votos favoráveis e quatro contrários.
A votação gerou forte embate político. Parlamentares da base governista comemoraram a aprovação da proposta e defenderam que a mudança representa avanço nas condições de trabalho e qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.
O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta, afirmou que a votação representa um marco histórico.
Já a deputada Dandara relatou a própria experiência trabalhando em escala 6×1 e disse que a redução da jornada permitirá que trabalhadores tenham mais tempo para viver.
Por outro lado, parlamentares da oposição criticaram a proposta. O deputado Kim Kataguiri afirmou que a PEC não garante o fim da escala 6×1 na prática, enquanto o deputado Sérgio Turra classificou a medida como eleitoreira.
A PEC também estabelece exceções. As novas regras não se aplicarão a trabalhadores que já possuem jornada igual ou inferior a 40 horas semanais nem a empregados com nível superior e remuneração acima de R$ 21 mil mensais.
Além disso, uma lei complementar deverá definir regras de transição específicas para microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte.
