Governo tenta conter crise com deputados após ameaça de guerra por emendas

Secretário de Governo, Luiz Calixto, afirmou que o Executivo aposta no diálogo para evitar ruptura com a Assembleia

Por Matheus Mello, ContilNet 26/05/2026 às 17:00
Assembleia Legislativa do Acre/Foto: Reprodução

A tensão entre o governo do Acre e a Assembleia Legislativa em torno da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (26). Após deputados da base e da oposição ameaçarem enfrentar uma “guerra” contra o Palácio Rio Branco por causa das regras das emendas parlamentares, o secretário de Governo, Luiz Calixto, afirmou que o Executivo aposta no diálogo e descartou qualquer “cabo de guerra” com os parlamentares.

Em entrevista ao ContilNet, Calixto afirmou que o governo considera os atuais valores das emendas parlamentares “significativos” dentro da capacidade financeira do Estado e defendeu que o debate seja conduzido com base na responsabilidade fiscal.

“Hoje uma emenda parlamentar é de cinco milhões de reais. Nós entendemos que talvez não seja suficiente para atender todas as demandas, mas é um valor considerado”, afirmou.

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Segundo ele, o Estado destina atualmente cerca de R$ 120 milhões para os 24 deputados estaduais e garante a execução das emendas independentemente de alinhamento político.

Luiz Calixto falou durante sessão na Aleac/Foto: Reprodução

“Nós liberamos todas as emendas, seja deputado aliado ou não. Elas são executadas”, disse.

A fala ocorre em meio ao endurecimento do discurso dos parlamentares contra pontos do projeto da LDO enviado pelo governo à Assembleia Legislativa do Estado do Acre. O principal foco de insatisfação é a criação de limites mínimos para destinação das emendas: R$ 20 mil para organizações da sociedade civil e R$ 50 mil para municípios.

Deputados argumentam que as novas regras dificultam o envio de recursos para pequenas associações comunitárias e localidades isoladas do interior do Acre, atingindo diretamente a atuação política dos mandatos.

Na última semana, a governadora Mailza Assis já havia sinalizado que o governo não pretende flexibilizar medidas que possam comprometer o equilíbrio fiscal do Estado.

Ao comentar a crise com os deputados, Calixto reforçou o discurso adotado pela chefe do Executivo e afirmou que o governo não irá assumir compromissos financeiros sem garantia de capacidade orçamentária.

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“Se o orçamento comportar, nós vamos tratar. Se não comportar, nós vamos tentar convencer o parlamento de que não é possível”, declarou.

O secretário também citou o episódio recente envolvendo regras impostas pelo Tribunal de Contas do Estado para execução das emendas parlamentares. Segundo ele, o próprio governo atuou para destravar os repasses junto ao TCE.

“Poderíamos muito bem fazer corpo mole e deixar as emendas sem serem executadas, mas fomos nós que fomos resolver”, afirmou.

Apesar do ambiente de desgaste entre Executivo e Legislativo, Calixto afirmou que não vê motivos para ruptura política entre os poderes.

“O nosso lema é diálogo. Nós vamos conversar com os parlamentares. O nosso histórico sempre foi de entendimento”, disse.

O projeto da LDO deve intensificar as discussões na Aleac nos próximos dias e já uniu parlamentares governistas e oposicionistas em torno da defesa de mudanças no texto encaminhado pelo Palácio Rio Branco.

Conteúdo Original / Fonte: Matheus Mello, ContilNet

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