Guerra por Brasília: União Progressista e MDB montam “chapas da morte”

Nos bastidores, dirigentes dos dois partidos já usam a mesma expressão para definir o cenário

Por Matheus Mello, ContilNet 12/07/2026 às 17:00
Nos bastidores, dirigentes dos dois partidos já usam a mesma expressão para definir o cenário: “chapa da morte”. Não por acaso. — Foto: Reprodução

A montagem das chapas para deputado federal no Acre já provoca um efeito inevitável: ninguém entrará na disputa acreditando que terá caminho fácil. Se havia alguma dúvida sobre onde estarão concentradas as maiores batalhas de 2026, ela praticamente desapareceu. União Progressista e MDB conseguiram reunir as nominatas mais competitivas da eleição e prometem protagonizar uma disputa que pode deixar nomes tradicionais pelo caminho.

Nos bastidores, dirigentes dos dois partidos já usam a mesma expressão para definir o cenário: “chapa da morte”. Não por acaso.

Na federação União Progressista, o cálculo é ousado. A meta é conquistar quatro das oito vagas do Acre na Câmara dos Deputados. Para isso, será necessário que nomes com grande densidade eleitoral disputem voto entre si.

O time começa pelos quatro parlamentares que tentam permanecer em Brasília: Socorro Neri, Zezinho Barbary, Coronel Ulysses e José Adriano.

Como se a concorrência interna já não fosse suficiente, a chapa ainda ganhou dois pesos pesados.

O ex-prefeito de Sena Madureira, Mazinho Serafim, entra na corrida com uma base consolidada no interior.

Mas é Fábio Rueda quem desperta maior atenção entre aliados e adversários. Irmão do presidente nacional do União Brasil, ele aparece como um dos projetos eleitorais mais ambiciosos da federação. Recebe apoio de boa parte da estrutura do governo estadual, conta com respaldo de quase metade da Assembleia Legislativa e vem ampliando sua rede de apoios entre prefeitos do interior. O objetivo é claro: chegar à Câmara como um dos deputados mais votados do Acre.

A consequência é inevitável. Quanto mais fortes forem os candidatos, maior será a disputa dentro da própria chapa. Em eleições proporcionais, isso costuma produzir vencedores expressivos, mas também derrotas inesperadas.

Do outro lado, o MDB talvez tenha protagonizado a maior reviravolta política deste ciclo eleitoral.

Depois de não eleger nenhum deputado federal na última eleição, o partido conseguiu reorganizar completamente seu tabuleiro graças ao entendimento firmado com o grupo político de Gladson Cameli e da governadora Mailza Assis.

O acordo que garantiu espaço ao MDB na chapa majoritária — incluindo a indicação do vice-governador — também abriu caminho para fortalecer a disputa proporcional. Integrantes do governo migraram para o partido durante a janela partidária, transformando uma legenda que havia saído enfraquecida das urnas em uma das mais competitivas da eleição.

A nominata reúne o ex-presidente da Fundação Elias Mansour, Minoru Kinpara; a deputada Antônia Lúcia, que busca a reeleição; o deputado estadual Pedro Longo; e o ex-secretário de Esportes Ney Amorim.

Mas o grupo ainda pode ganhar reforços capazes de alterar completamente o jogo.

Com Jéssica Sales confirmada como candidata a vice-governadora na chapa de Mailza, cresce a possibilidade de seu pai, o presidente estadual do MDB, Vagner Sales, disputar uma vaga na Câmara. Caso confirme a candidatura, o partido ganha um nome com forte recall eleitoral no Juruá.

Outro nome observado com expectativa é Leonardo Melo, filho do ex-deputado Flaviano Melo. Mesmo estreando nas urnas, ele carrega um dos sobrenomes mais tradicionais da política acreana e pode herdar parte desse capital político.

A expectativa do MDB é conquistar pelo menos três cadeiras na Câmara.

Se as projeções de União Progressista e MDB se confirmarem, as duas legendas podem ocupar sete das oito vagas do Acre em Brasília, comprimindo o espaço dos demais partidos e tornando a eleição proporcional uma das mais disputadas dos últimos anos.

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