Hantavírus pode virar nova pandemia? Médico do Acre explica

Especialista afirma que doença transmitida por ratos silvestres tem alta letalidade, mas baixo potencial de transmissão em massa entre humanos

Por Matheus Mello, ContilNet 17/05/2026 às 10:07
o hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com urina, fezes e saliva de ratos silvestres/Foto: Reprodução

Após a confirmação de casos de hantavírus na Bolívia e de um surto registrado em um navio de cruzeiro que passou pela Antártida, a doença voltou a chamar atenção em vários países e gerou preocupação sobre o risco de uma nova pandemia. No Acre, o médico infectologista Thor Dantas explicou ao ContilNet que, apesar da gravidade da doença, o risco de uma disseminação em larga escala é considerado baixo.

Segundo o especialista, o hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com urina, fezes e saliva de ratos silvestres infectados, especialmente quando partículas contaminadas são inaladas durante limpezas de locais fechados ou com presença de roedores.

“O risco de epidemia é muito baixo, porque a transmissão dele de pessoa para pessoa não é igual à Covid. Nem todas as cepas do hantavírus conseguem ser transmitidas entre humanos”, explicou o médico.

Thor durante entrevista ao ContilNet/Foto: Gabriel Bader/OrnaAudiovisual

A hantavirose é uma zoonose viral aguda causada por vírus da família Hantaviridae. No Brasil, a forma mais grave da doença é conhecida como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, que pode provocar insuficiência respiratória severa e até choque circulatório.

Sintomas podem começar como uma gripe

De acordo com o Ministério da Saúde, os sintomas iniciais incluem febre, dores no corpo, dor de cabeça, dor abdominal e sintomas gastrointestinais. Nos casos mais graves, a doença evolui rapidamente para comprometimento pulmonar, com falta de ar, tosse seca e queda da pressão arterial.

Thor Dantas alertou que a evolução respiratória é o que torna a doença perigosa.

“Quando evolui para quadro pulmonar, é quando o quadro fica extremamente grave. A letalidade pode chegar a 40%”, afirmou.

O infectologista também destacou que não existe tratamento específico contra o hantavírus, diferentemente da leptospirose, que pode ser tratada com antibióticos.

Como evitar a contaminação

A principal orientação é evitar contato direto com locais contaminados por ratos silvestres. O médico recomenda uso de máscara, luvas, botas e água sanitária durante a limpeza de ambientes fechados ou com sinais da presença de roedores.

“Se você vai lavar ou limpar um lugar que passou rato, tem que usar luva, bota e máscara, além de usar água sanitária nos locais onde o animal urinou”, orientou.

O Ministério da Saúde também recomenda manter alimentos armazenados em recipientes fechados, evitar acúmulo de entulho e impedir a aproximação de roedores das residências.

Acre acompanha situação, mas risco é considerado baixo

Em nota enviada ao ContilNet, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre informou que acompanha os alertas epidemiológicos nacionais e internacionais relacionados à hantavirose.

Segundo a Sesacre, os casos confirmados na Bolívia ocorreram nas cidades de Bermejo, Yacuíba e Padcaya, áreas de fronteira com a Argentina, e não com o Brasil.

Ainda conforme o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS Nacional), o episódio não foi classificado como emergência em saúde pública para o Brasil e não exige medidas adicionais neste momento.

Mesmo assim, a Sesacre informou que mantém monitoramento permanente e vigilância ativa nas regiões de fronteira, seguindo protocolos do Ministério da Saúde.

Veja na íntegra:

A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), por meio da Vigilância em Saúde, informa que acompanha continuamente os alertas epidemiológicos nacionais e internacionais, incluindo notificações relacionadas à hantavirose.

Sobre os casos confirmados na Bolívia, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS Nacional) esclareceu que os registros ocorreram nas cidades de Bermejo, Yacuíba e Padcaya, localizadas em região de fronteira com a Argentina, e não com o Brasil.

De acordo com avaliação do CIEVS Nacional, o evento foi classificado, neste momento, como não relevante para o Brasil e não configura Emergência em Saúde Pública, não havendo necessidade de medidas adicionais específicas relacionadas ao episódio.

A Sesacre reforça, no entanto, que mantém monitoramento permanente de eventos epidemiológicos e vigilância ativa nas regiões de fronteira, seguindo os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Conteúdo Original / Fonte: Matheus Mello, ContilNet

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