O desaparecimento político da ex-deputada federal Jéssica Sales deixou muita gente intrigada nos últimos meses. Distante de agendas públicas, evitando entrevistas e praticamente invisível nos grandes movimentos políticos do Acre, a médica cruzeirense passou a alimentar uma pergunta cada vez mais recorrente nos bastidores: estaria apenas em silêncio estratégico aguardando a hora certa de voltar ao jogo?
A resposta pode estar prestes a aparecer.
Aliados próximos da família Sales confidenciaram à coluna que Jéssica estaria finalizando conversas para disputar uma das vagas ao Senado Federal em 2026. O anúncio, segundo essas fontes, depende diretamente do desdobramento do cenário envolvendo o ex-governador Gladson Cameli, especialmente após a audiência prevista para junho.
A estratégia faz sentido. Em um ambiente político instável, onde ninguém sabe exatamente como ficará o desenho das alianças, Jéssica prefere observar antes de colocar suas cartas na mesa. E experiência política ela tem de sobra para entender que, em eleição majoritária, o tempo do anúncio pode valer tanto quanto o próprio candidato.
Enquanto muitos nomes aparecem diariamente tentando sobreviver no noticiário político, Jéssica escolheu o caminho inverso: sumiu. E justamente esse silêncio vem aumentando sua força nos bastidores.
No Juruá, principalmente em Cruzeiro do Sul, a ex-deputada continua com densidade eleitoral invejável. A votação da última eleição municipal deixou isso evidente. Mesmo enfrentando o peso da máquina estadual e municipal, ela ficou a poucos votos da prefeitura. Perdeu no papel, mas saiu fortalecida politicamente.
Além do capital eleitoral próprio, Jéssica carrega uma estrutura política familiar difícil de ignorar. É filha do ex-prefeito Vagner Sales, uma das figuras mais experientes da política acreana, e da deputada estadual Antônia Sales, que mantém forte atuação parlamentar e influência consolidada no interior.
Outro detalhe chama atenção: até agora Jéssica não assumiu publicamente alinhamento automático com a governadora Mailza Assis, que já anunciou várias vezes que a médica poderia ser sua vice.
Nos bastidores, isso é interpretado como um movimento calculado para manter liberdade política enquanto o cenário estadual o cargo de vice continua indefinido.
Há também quem defenda que disputar uma vaga de deputada federal seria um caminho mais seguro. E não é exagero. Jéssica teria enormes chances de retornar ao Congresso Nacional com votação robusta. Seu nome ainda possui lembrança eleitoral forte, principalmente nas pautas ligadas à saúde e ao Juruá.
Mas o Senado seduz.
A eleição majoritária oferece visibilidade, protagonismo e a possibilidade de transformar a liderança regional em um projeto estadual. E é exatamente isso que pessoas próximas acreditam que esteja passando pela cabeça da ex-deputada neste momento.
Nos bastidores acreanos, uma avaliação já é consenso: subestimar Jéssica Sales pode ser um erro político grave. Enquanto muita gente fala demais e aparece em excesso, ela parece apostar no velho método das raposas políticas: silêncio, articulação e paciência.

