A federação União Progressista mal começou a encarar o desafio das eleições de 2026 e já ganhou um problema daqueles que costumam exigir a intervenção direta das cúpulas nacionais.
A coluna apurou que integrantes do PP do Acre, incluindo detentores de mandato, estiveram em Brasília para reclamar do que classificam como um desequilíbrio na distribuição de espaço dentro da aliança com o União Brasil.
O argumento levado à direção nacional é simples: na avaliação desse grupo, o União Brasil estaria largando na frente na montagem das chapas e na estrutura das futuras campanhas, enquanto o partido da governadora Mailza Assis estaria perdendo protagonismo dentro da própria federação.
O desconforto cresceu após o lançamento da pré-candidatura do ex-secretário Fábio Rueda. A leitura foi de que a movimentação deixou evidente a existência de uma estrutura robusta para a disputa, algo que acendeu o sinal de alerta entre os progressistas.
Hoje, a conta é apertada
O PP possui três deputados federais na bancada acreana. O União Brasil também tem três. Como a federação obriga os partidos a atuarem como uma única legenda, os atuais aliados serão concorrentes diretos pelas vagas na Câmara dos Deputados.
Na Assembleia Legislativa, a diferença é ainda mais visível. O União Brasil conseguiu reunir uma chapa com oito deputados estaduais, enquanto o PP conta, até o momento, com apenas três parlamentares na composição.
Foi justamente esse cenário que motivou a peregrinação a Brasília.
Entre os questionamentos apresentados está uma pergunta que resume a insatisfação: como o partido comandado nacionalmente pela governadora Mailza Assis pode estar cedendo espaço justamente dentro da federação da qual faz parte?
A resposta para esse impasse virou um abacaxi para a executiva nacional.
Porque, em política, federação foi criada para unir forças. Mas quando um dos lados começa a se sentir menor dentro da própria casa, a convivência deixa de ser automática.
A conta já era esperada
O movimento de insatisfação no Acre está longe de ser uma surpresa para quem acompanhou a criação da União Progressista. Desde a formação da federação entre PP e União Brasil, dirigentes nacionais já admitiam que disputas por espaço surgiriam em alguns estados.
A regra acertada na época foi clara: o comando das federações estaduais ficaria com o partido que estivesse no governo.
No Acre, naquele momento, o chefe do Executivo era Gladson Camelí, do PP. Pela lógica adotada pela própria aliança, com a saída dele para disputar o Senado e a posse de Mailza Assis no governo, a condução política da federação passaria naturalmente para as mãos da atual governadora.
Por isso, embora as reclamações tenham chegado a Brasília, a solução do impasse tende a passar primeiro pelo Palácio Rio Branco.
Em outras palavras, o problema foi nacionalizado, mas a resposta está em casa.
É ele!
Antes mesmo de a campanha começar oficialmente, um nome já aparece como peça central na engrenagem montada para a reeleição de Mailza Assis: o ex-deputado e ex-secretário Ney Amorim, hoje filiado ao MDB.
A tendência é que Ney assuma a coordenação política da campanha da governadora, formando um núcleo ao lado do secretário de Educação, Aberson Carvalho, e do chefe da Casa Civil, Jhonatan Donadoni.
A missão, no entanto, está longe de ser simples.
Além de ajudar a resolver a equação do vice na chapa de Mailza, Ney terá pela frente outro desafio imediato: administrar a insatisfação de parte do PP com a federação União Progressista. O desgaste ganhou novos capítulos após o lançamento da pré-candidatura de Fábio Rueda, evento que contou com a presença de Jhonatan Donadoni.
A participação do chefe da Casa Civil chamou atenção justamente por ele ser considerado uma das figuras mais influentes do governo. Entre progressistas, a presença foi interpretada como mais um sinal de prestígio dado ao grupo ligado ao União Brasil.
Como se não bastasse, Ney também precisará cuidar da própria candidatura à Câmara dos Deputados.
Em resumo, o ex-deputado pode entrar na campanha acumulando três tarefas ao mesmo tempo: organizar a reeleição de Mailza, pacificar os aliados e buscar uma vaga em Brasília.
É uma lista de atribuições que poucos aceitariam.
O jogo virou
Há uma ironia que não passou despercebida entre os aliados do governo.
Quando Mailza Assis articulou a entrada do MDB em sua aliança e entregou ao partido a missão de indicar o vice da chapa, uma das contrapartidas negociadas foi o apoio do Palácio Rio Branco para a montagem das chapas de deputado estadual e federal dos emedebistas.
Foi nesse contexto que uma série de nomes de peso da base governista migrou para o MDB. Além de Ney Amorim, o partido recebeu Minoru Kinpara, Luiz Gonzaga, Pedro Longo, Antônio Lúcia, Mazinho Serafim e outros aliados do governo.
Na época, integrantes do União Brasil questionaram a estratégia. O argumento era que, sendo PP e UB integrantes da mesma federação, o mais natural seria fortalecer o próprio União Brasil, e não um partido aliado de fora da União Progressista.
A reclamação circulou entre lideranças e chegou ao conhecimento do núcleo político do governo.
Meses depois, o cenário se inverteu.
Agora, são justamente setores do PP que reclamam da força conquistada pelo União Brasil dentro da federação e do espaço ocupado por nomes ligados ao partido.
Em política, a memória costuma ser curta.
De vereadores a cabos eleitorais
A pré-campanha de 2026 já começou a produzir efeitos curiosos na Câmara de Rio Branco.
Nos últimos dias, os vereadores Neném Almeida e Eber Machado parecem ter encontrado uma nova missão: atuar como defensores do senador Alan Rick e críticos permanentes da gestão Mailza Assis.
Nada contra a oposição. Faz parte do jogo.
O detalhe é que ambos ocupam cargos de vereadores da capital e, em tese, têm como principal função fiscalizar os atos da Prefeitura de Rio Branco. Mas os debates recentes têm sido cada vez mais voltados para temas de responsabilidade exclusiva do Governo do Estado, assuntos que sequer passam pelo plenário da Câmara.
A impressão que fica é que a Casa Legislativa da capital virou uma extensão antecipada da campanha estadual.

