O desgaste de Sula Ximenes pode custar caro ao governo

Se existe alguém que fez um gesto de desprendimento político para ajudar um projeto maior, esse alguém foi Sula Ximenes

Por Wania Pinheiro, ContilNet 16/06/2026 às 20:57
Bastidores expõem desafios enfrentados por Sula/Foto: Reprodução

Quando decidiu abrir mão de uma candidatura praticamente certa à Assembleia Legislativa, ela fez isso atendendo a um apelo político. Não foi por falta de espaço eleitoral, nem por ausência de apoio popular. Pelo contrário. Sula Ximenes era considerada um dos nomes mais competitivos da chapa do PL para deputado estadual. Era também um dos nomes que poderia estar na suplência do senador Marcio Bittar.

Muitas lideranças pediram seu retorno ao Deracre. Ela ouviu os apelos, aceitou a missão e voltou para comandar um dos órgãos mais importantes da estrutura do governo estadual. Um órgão gigantesco, responsável por obras, estradas, pontes e ações que chegam diretamente à população.

Mas as informações que chegam dos bastidores mostram um cenário preocupante. Fala-se em dificuldades financeiras, fornecedores aguardando pagamentos e um ambiente de crescente insatisfação provocado por mudanças internas que estariam enfraquecendo equipes experientes justamente em uma área que exige conhecimento técnico e capacidade de execução.

O que chama atenção é a aparente contradição. Ao mesmo tempo em que integrantes do governo afirmam trabalhar para fortalecer o projeto político da governadora Mailza Assis, algumas decisões acabam atingindo pessoas que poderiam ser importantes aliadas nessa caminhada.

Sula Ximenes construiu uma trajetória marcada pela capacidade de trabalho e pela lealdade. Durante a gestão do governador Gladson Cameli, conquistou respeito dentro e fora do governo pela forma firme e transparente com que conduziu o Deracre. Não por acaso, tornou-se uma das figuras mais prestigiadas da equipe.

Quem acompanha a política acreana sabe que ela não é do tipo que cria crises, alimenta conflitos ou busca holofotes. Seu perfil sempre foi o de quem prefere trabalhar e entregar resultados.

Por isso causa estranheza ouvir relatos de que compromissos assumidos anteriormente não estariam sendo cumpridos, nem com Sula e nem com outros aliados. Mais estranho ainda é perceber que pessoas consideradas fundamentais para o funcionamento do órgão estariam sendo substituídas em um momento delicado, quando o mais sensato seria fortalecer a equipe e dar estabilidade à gestão.

Se existe alguém que fez um gesto de desprendimento político para ajudar um projeto maior, esse alguém foi Sula Ximenes. Ela abriu mão de um projeto pessoal para assumir uma missão administrativa. Fez sua parte.

Agora, é legítimo perguntar: o governo está fazendo a sua?

Nenhum gestor consegue trabalhar sozinho. Nenhum órgão sobrevive sem respaldo político, sem estrutura e sem o cumprimento dos acordos que garantem estabilidade administrativa. Quem conhece o Deracre sabe do tamanho dos desafios que existem ali.

Transformar Sula em responsável por problemas que não nasceram em sua gestão seria não apenas injusto, mas também um erro político. Afinal, poucas pessoas demonstraram tanta disposição para servir quando foram chamadas.

A lealdade precisa ser uma via de mão dupla. E quem pediu que Sula voltasse para ajudar o governo deveria ser o primeiro a garantir as condições necessárias para que ela continue fazendo aquilo que sempre soube fazer: trabalhar pelo Acre.

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