Por mais que alguns críticos afirmem que Tião Bocalom deixou a desejar como prefeito de Rio Branco, tenho uma opinião diferente. Como acreana e cidadã rio-branquense, acredito que a história deve ser contada com equilíbrio, reconhecendo tanto os erros quanto os acertos de quem passou pelo comando da nossa capital.
Poucos prefeitos que conheci demonstraram uma rotina de trabalho tão intensa. Bocalom era conhecido por acordar por volta das quatro da manhã e muitas vezes encerrar suas atividades depois da meia-noite. Não era uma vida de festas, mesas de jogos ou diversão. Era uma rotina marcada pelo trabalho e pela dedicação à administração pública.
É claro que Rio Branco teve outros grandes prefeitos. Alguns realizaram obras importantes e contribuíram significativamente para o crescimento da cidade. Também é verdade que a gestão de Bocalom não conseguiu resolver todos os problemas da capital, especialmente nas áreas mais periféricas, que ainda enfrentam desafios históricos.
Mas negar as transformações urbanas realizadas durante sua administração seria fechar os olhos para a realidade. Basta passar pela região dos viadutos para perceber isso. A área ganhou um aspecto moderno, organizado e arrojado, oferecendo à cidade uma imagem mais compatível com uma capital que busca desenvolvimento. O local se tornou um novo eixo econômico, atraindo empreendimentos, gerando movimentação comercial e despertando o interesse de empresas tradicionais.
Entre os projetos que simbolizam essa nova fase está o novo Mercado Elias Mansour. Quem conhece o projeto sabe que a obra tem potencial para se tornar um dos mais belos cartões-postais do Acre. Toda grande cidade possui espaços que se transformam em pontos de encontro para moradores e visitantes. Mercados públicos bem estruturados costumam reunir gastronomia, cultura, turismo e convivência. Rio Branco já merecia um espaço moderno, acolhedor e à altura de sua importância.
Muitas pessoas, quando visitam uma cidade, fazem questão de conhecer seu mercado público. É ali que encontram sabores, histórias, tradições e a identidade local. Os próprios moradores gostam de frequentar esses ambientes para tomar um café da manhã, almoçar ou simplesmente encontrar amigos. Ao investir nesse projeto, Bocalom e Alysson Bestene contribuem para a valorização da capital e de sua cultura.
Poderíamos citar outras obras e ações realizadas durante a gestão, mas o espaço é limitado e o leitor moderno prefere textos mais objetivos. Ainda assim, considero injusto que alguns comentários ignorem completamente aquilo que foi construído e transformado ao longo dos últimos anos.
Naturalmente, este texto não pretende impor uma verdade absoluta. Cada cidadão tem o direito de avaliar a gestão pública a partir de sua própria experiência. Respeito todas as opiniões, inclusive as críticas. Quem escreve para o público precisa estar preparado para os elogios e também para as discordâncias.
Faço apenas um registro que considero importante: as obras permanecem. Os debates políticos passam, as campanhas terminam, as críticas aumentam e diminuem conforme o momento. Mas aquilo que foi construído continua fazendo parte da vida das pessoas.
Este também não é um texto publicitário. Bocalom apareceu em terceiro lugar na última pesquisa e nunca foi conhecido por investir fortunas em promoção pessoal. Pelo contrário, carrega há anos a fama de ser econômico, alguns diriam até “muquirana”. Concorde-se ou não com seu estilo, uma coisa é certa: Tião Bocalom deixa uma marca visível na paisagem urbana de Rio Branco, e essa marca continuará sendo observada e julgada pelas próximas gerações.

