Quarenta e quatro pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Acre (MPAC) por suspeita de participação em uma organização criminosa envolvida com o tráfico de drogas. A acusação é um novo desdobramento da Operação Colapso, deflagrada no fim de agosto no estado.
A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) à Vara de Delitos de Organizações Criminosas de Rio Branco. Os acusados teriam ocupado diferentes posições dentro da estrutura investigada.
Entre os crimes atribuídos aos denunciados estão participação em organização criminosa e associação para o tráfico. Dependendo da situação de cada investigado, a acusação também inclui tráfico de drogas e posse ilegal de munição.
As investigações começaram a avançar após a análise de celulares recolhidos em operações anteriores. O conteúdo dos aparelhos forneceu aos investigadores informações que teriam permitido identificar integrantes do grupo e compreender parte da dinâmica de atuação da organização.
Um dos principais elementos encontrados foi uma relação contendo 297 supostos pontos de venda de drogas. A lista apresentava alcunhas de responsáveis e valores de mensalidades atribuídas aos locais. Os investigadores cruzaram essas informações com dados extraídos de outros aparelhos apreendidos e periciados.
O material reunido durante a apuração levou o MPAC a solicitar medidas cautelares à Justiça. A partir delas, foi deflagrada, em parceria com a Polícia Militar, a Operação Colapso.
A ofensiva cumpriu 75 mandados judiciais, sendo 44 de prisão preventiva e 31 de busca e apreensão. As diligências ocorreram em cidades acreanas e também em Goiânia (GO).
Durante a operação, foram apreendidos cerca de R$ 15 mil em dinheiro, aproximadamente 50 munições, drogas, um veículo e outros objetos que passaram a integrar a investigação.
Apesar das prisões determinadas pela Justiça, 17 dos denunciados não foram encontrados durante o cumprimento das medidas e são considerados foragidos. O Ministério Público pediu que a ação envolvendo essas pessoas seja separada do processo dos demais acusados, evitando atrasos na tramitação.
O MPAC também sustenta a existência de circunstâncias que podem aumentar as penas em caso de eventual condenação, como emprego de armas de fogo, participação de crianças e adolescentes e conexão com outras organizações criminosas.
Parte dos materiais recolhidos ainda passa por perícia. Os resultados das análises deverão ser acrescentados ao processo à medida que os laudos forem concluídos.
Além do recebimento da denúncia e do prosseguimento da ação penal, o Ministério Público pediu autorização para que as provas sejam compartilhadas com unidades especializadas e com as polícias Civil, Militar e Federal, diante da possível relação dos elementos encontrados com outras investigações sobre o crime organizado.

