Muito conhecido nos rios da Amazônia, especialmente no Acre e no Pará, o pirarucu não chama atenção apenas pelo tamanho. Considerado um dos maiores peixes de água doce do Brasil, ele também é visto por especialistas como um alimento rico em nutrientes importantes para o funcionamento do organismo.
Com alto teor de proteínas e poucas gorduras, o peixe pode trazer benefícios para diferentes áreas da saúde. Segundo nutricionistas, o consumo regular ajuda na manutenção dos músculos, aumenta a sensação de saciedade e contribui para uma alimentação equilibrada.

O pirarucu é o maior peixe da Amazonia/Foto: Reprodução
Outro destaque está na presença do ômega 3, uma gordura saudável associada à proteção do coração. Esse nutriente auxilia na redução de inflamações, ajuda a controlar os níveis de gordura no sangue e pode contribuir para manter o colesterol em equilíbrio. O pirarucu também contém potássio, mineral que participa do controle da pressão arterial e do equilíbrio dos líquidos no corpo. Essa característica é considerada importante em uma alimentação que costuma ter excesso de sódio.
A nutricionista Paloma Cupini explicou ao Metrópoles o que faz do pescado uma grande riqueza nutricional.
Para pessoas que precisam controlar os níveis de açúcar no sangue, o peixe pode ser uma boa opção. Por ser rico em proteínas e praticamente não conter carboidratos, ele ajuda a prolongar a sensação de saciedade sem provocar grandes alterações na glicose.
“Os ácidos graxos ômega 3 presentes no pirarucu ajudam a reduzir os níveis de triglicerídeos no sangue, diminuem a inflamação sistêmica e contribuem para o equilíbrio do colesterol, com efeitos protetores ao coração. Somado ao baixo teor de gordura saturada, o peixe é um aliado direto da saúde cardíaca”, acrescentou.
Diversos benefícios
Os benefícios não param por aí. O alimento é fonte de vitaminas do complexo B, incluindo a B6 e a B12, nutrientes ligados ao funcionamento do cérebro e do sistema nervoso. Essas vitaminas participam da produção de substâncias responsáveis pela comunicação entre os neurônios e também estão relacionadas ao humor e à disposição.

Segundo nutricionistas, o consumo regular ajuda na manutenção dos músculos | Foto: Reprodução
A saúde dos ossos também pode ser favorecida pelo consumo do peixe amazônico. Isso porque ele fornece minerais como fósforo e magnésio, que ajudam na formação e na manutenção da estrutura óssea, especialmente em pessoas mais velhas.
“O pirarucu é um peixe magro. Em termos de gorduras totais, ele tem em torno de 1 g a 3 g, predominantemente insaturada. Para pacientes com resistência à insulina, diabetes tipo 2 ou que seguem protocolos de controle glicêmico, o pirarucu é uma proteína que indico com frequência. Ele sacia e não eleva a glicose”, concluiu a nutricionista.
Ibama libera captura do pirarucu fora da Amazônia
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicou, em março deste ano, uma nova regra que permite a captura do pirarucu sem restrições em regiões onde o peixe não ocorre naturalmente. A medida, oficializada pela Instrução Normativa nº 7/2026 no Diário Oficial da União, classifica a espécie como exótica invasora fora da Amazônia.

Segundo o Ibama, a medida busca controlar a presença do animal fora de seu habitat natural | Foto: Mauricio Lima
Na prática, isso significa que o pirarucu poderá ser pescado durante todo o ano nessas áreas, sem limite de tamanho ou quantidade. A norma também determina que o peixe capturado não pode ser devolvido à água, devendo ser abatido obrigatoriamente. A decisão vale para pescadores profissionais e artesanais em bacias hidrográficas como as dos rios São Francisco e Paraná, além de regiões do Sudeste e Sul do país.
Segundo o Ibama, a medida busca controlar a presença do animal fora de seu habitat natural, já que a espécie pode causar impactos ambientais quando introduzida em outros ecossistemas. A normativa também prevê que o pescado seja aproveitado socialmente, permitindo a doação para programas públicos, merenda escolar, hospitais e ações de combate à fome.


